DENIS BALIBOUSE | REUTERS
DENIS BALIBOUSE | REUTERS

COI inicia investigação de laboratório antidoping russo

Federações podem ser banidas do esporte

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2016 | 05h00

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, anunciou a abertura de investigações sobre a atuação do laboratório antidoping da cidade russa de Sochi, que teria fraudado exames na Olimpíada de inverno de 2014. O COI ameaça banir federações esportivas russas se a participação do governo russo na fraude for confirmada. Nesse caso, os Jogos do Rio, que começam daqui a 78 dias, estariam desfalcados dos principais atletas do país.

Bach disse na quarta-feira que “o resultado da investigação vai influenciar de forma importante a natureza da participação dos russos no Rio”. Para o dirigente, “se houver evidências de um sistema organizado contaminando outros esportes, o COI pode tomar a decisão difícil entre optar pela responsabilidade coletiva ou a justiça individual”. Ele apelou a todos aqueles que tenham informações que a compartilhem com o COI.

Para Bach, o resultado da investigação pode significar que a presunção da inocência mesmo para aqueles atletas que não foram pegos nos exames pode ser “invertida”. Imediatamente após a declaração, o Kremlin insistiu que lamentava pelos atletas que não foram pegos nos controles de doping. E insistiu que seria “injusto” com aqueles que “por anos treinaram para os Jogos do Rio”; A Rússia negou qualquer tipo de envolvimento organizado no escândalo.

A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), vem alertando que seus técnicos e investigadores têm sérios problemas para acessar os locais com amostras, inclusive com ameaças de cancelamento de seus vistos de permanência. Bach espera que a investigação seja concluída antes dos Jogos no Rio. As informações reveladas pelo jornal americano New York Times mostram como agentes da inteligência russa se fizeram passar por funcionários de controle de doping para garantir que atletas locais não fossem pegos nos testes.

Bach diz que, a ser confirmada a denúncia, seria um “nível inimaginável de criminalidade. Essa seria uma nova dimensão do doping”. As revelações apontaram que dezenas de atletas foram beneficiados, inclusive 15 medalhistas. “Vamos agir não apenas contra os atletas, mas contra todos que os ajudaram”, disse Bach. Nesta quinta-feira, a Federação de Atletismo da Rússia está banida dos torneios internacionais e, no dia 17 de junho, os dirigentes vão anunciar se a Rússia terá ou não o direito de competir no Brasil em todas as modalidades de atletismo.

O COI está sendo pressionado a dar uma resposta diante da avalanche de casos de doping pelo mundo. Não por acaso, decidiu refazer testes de doping com amostras que haviam sido guardadas de atletas que competiram em 2008, nos Jogos de Pequim. Desses, 31 esportistas podem ser impedidos de competir no Rio de Janeiro, em agosto. A entidade ainda promete testar outras 250 amostras de atletas que estiveram em Londres em 2012.

TÓQUIO

A candidatura de Tóquio para sediar os Jogos de 2020 teria feito um pagamento de cerca de ¤1.3 milhão para o ex-presidente da Associação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, em troca de seus votos e influência para que a cidade japonesa recebesse o evento. O fato é investigado pela polícia francesa. A candidatura do Rio também é investigada pela mesma razão. A revelação é do jornal inglês The Guardian.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.