Kyoto/Reuters
Kyoto/Reuters

Comitê Olímpico Japonês elege novo presidente após suspeitas de corrupção

Yasuhiro Yamashita foi o escolhido para assumir o posto de Tsunekazu Takeda

Redação, Estadão Conteúdo

27 de junho de 2019 | 09h26

O Comitê Olímpico Japonês elegeu nesta quinta-feira um novo presidente após a saída de Tsunekazu Takeda, investigado por suspeita de corrupção. Campeão olímpico no judô nos Jogos de Los Angeles-1984, Yasuhiro Yamashita foi o escolhido para assumir o comando da entidade às vésperas dos Jogos de Tóquio-2020.

Yamashita, de 62 anos, venceu nove títulos nacionais consecutivos durante sua vitoriosa carreira de judoca, coroada pela medalha de ouro conquistada há 35 anos. Ele é o atual presidente da federação judoca do país e já vinha atuando como um dos principais executivos do Comitê Olímpico.

Ele vai assumir a função de presidente após Takeda desistir de tentar novo mandato na entidade que comandava desde 2001. O agora ex-presidente também deixou suas funções no Comitê Olímpico Internacional (COI), onde liderava a poderosa comissão de marketing. Mas ainda é listado como um dos dirigentes do Comitê Olímpico Japonês.

Takeda é acusado por autoridades francesas de liderar uma suposta compra de votos em favor do Japão na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2020. Na ocasião, ele ocupava o cargo de presidente da candidatura japonesa para receber o grande evento. A investigação vem sendo realizada pelos franceses há alguns anos. Em dezembro, acusaram formalmente Takeda, que nega todas as acusações.

"Temos que elevar a nossa integridade para sermos capazes de recuperar a confiança do mundo esportivo japonês. Isso é o mais importante agora", afirmou Yamashita, ao assumir a função de presidente do comitê japonês. "Temos visto alguns escândalos nos esportes, até no Comitê Olímpico Japonês. E, a partir de agora, a confiança é a grande questão. Temos que lidar com estas questões de forma muito séria."

Apesar das declarações, o novo presidente da entidade japonesa disse confiar na inocência do seu antecessor. "Eu acredito que ele é inocente. E acredito que é isso que será definido no fim das investigações", declarou Yamashita, que afirmou também que o comitê japonês fez uma investigação interna sobre o assunto e não viu necessidade de maiores apurações.

INVESTIGAÇÃO

A cidade de Tóquio foi escolhida para sediar a Olimpíada de 2020 em 2013, ao superar Madri e Istambul. A eleição, contudo, está sob suspeita. Um dos pontos investigados é um pagamento feito antes do voto de Buenos Aires dado à capital japonesa. O valor de 1,8 milhão de euros (cerca de R$ 7,6 milhões) foi transferido a uma empresa que teria ligação com o senegalês Papa Massata Diack, filho do então presidente da Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, segundo o jornal Le Monde.

O dinheiro, que seria para a elaboração de dois relatórios, teria sido usado para subornar membros africanos do COI por intermédio de Diack, que fez campanha a favor de Tóquio. Takeda confirmou esses pagamentos, quando foi interrogado pela primeira vez em Tóquio em fevereiro de 2017, mas não justificou a elaboração dos relatórios.

O dirigente japonês foi acusado após um novo interrogatório em 10 de dezembro. Segundo os investigadores, o dinheiro circulou através de uma empresa baseada em Cingapura, denominada Black Tidings, antes de chegar ao filho de Diack.

O primeiro pagamento, de quase 800 mil euros (R$ 3,4 milhões), data de 30 de julho de 2013, e o segundo, de 1 milhão de euros (R$ 4,2 milhões), de 28 de outubro desse mesmo ano, apenas dez dias antes do voto de Buenos Aires.

Tóquio ganhou no segundo turno de Istambul. A capital japonesa obteve 42 votos na primeira votação e 60 na segunda, frente aos 36 da cidade turca.

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