Issei Kato/Reuters
Issei Kato/Reuters

Comitê Organizador diz que Olimpíada de Tóquio 'não será convencional'

Vila Olímpica, que recebe 11 mil atletas olímpicos e 4.400 paralímpicos, pode ter mudanças para os Jogos do ano que vem

Redação, Estadão Conteúdo

15 de maio de 2020 | 09h50

Dois meses após o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o Comitê Organizador segue preocupado com a pandemia de covid-19. A entidade ainda não sabe quanto vai custar o adiamento de um ano e como será realizada a Olimpíada sob novas condições, seguindo as orientações de distanciamento social. Para o Comitê, será uma edição dos Jogos nada "convencional".

"A Olimpíada que teremos daqui a um ano não deve ser uma edição convencional, não será como algo que já vimos", afirmou Toshiro Muto, CEO do Comitê Organizador, nesta sexta-feira. Ele evitou entrar em detalhes sobre como seria realizada esta edição caso a pandemia prossiga com muitos casos até 2021. Os Jogos serão disputados entre 23 de julho e 8 de agosto.

Se a exigência de distanciamento social foi mantida até a Olimpíada, o que alguns estudos já preveem, o Comitê poderá repensar diversos fatores para a realização dos Jogos. Um deles, por exemplo, pode ser a Vila Olímpica. O local deve receber 11 mil atletas olímpicos e 4.400 paralímpicos em apartamentos pequenos.

A aglomeração natural nas residências provisórias dos atletas pode ser um risco de contaminação, assim como a própria viagem de deslocamento até Tóquio. Há dúvidas também sobre a presença de torcida nas competições.

Com diversos questionamentos pela frente, o Comitê ainda reúne as informações para tomar suas decisões. E uma delas será sobre como vai gastar os US$ 800 milhões (cerca de R$ 4.7 bilhões) que o Comitê Olímpico Internacional (COI) vai fornecer à entidade local como forma de compensação pelo adiamento dos Jogos. Deste valor, US$ 150 milhões serão destinados a comitês nacionais e federações.

De acordo com estimativas da imprensa japonesa, os custos extras do adiamento da Olimpíada oscilam entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões (R$ 35 bilhões). Por isso, a ordem geral no Comitê Organizador é cortar custos. "Estamos procurando (espaço para corte) em cada área possível. É o momento de revermos o que realmente é essencial para os Jogos. Quais são os itens obrigatórios? Acho que vamos criar uma nova Olimpíada e Paralimpíada, algo único para Tóquio", disse Muto.

Quando conquistou o direito de sediar os Jogos, há sete anos, os dirigentes japoneses avaliavam que a Olimpíada custaria cerca de US$ 7 bilhões (R$ 41 bilhões). Agora a previsão é de desembolsar US$ 12,6 bilhões. Porém, um relatório de auditoria do governo aponta que o gasto pode chegar ao dobro. Deste valor, US$ 5,6 bilhões é dinheiro público.

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