Pilar Olivares/Reuters
Pilar Olivares/Reuters

MARCIO DOLZAN, O ESTADO DE S. PAULO

07 Setembro 2015 | 07h00

A um ano do início dos Jogos Paralímpicos do Rio-2016, o Brasil sonha em alcançar sucesso na organização do evento e em bater recorde de desempenho com seus atletas. Enquanto que o Comitê Rio-2016 entra na reta final em busca de uma cidade olímpica com maior acessibilidade, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) quer colocar o País no Top 5 do quadro de medalhas. Para isso, o time brasileiro terá que subir duas posições em relação aos Jogos de Londres, quando terminou em sétimo, com 21 ouros.

Diferentemente do Comitê Olímpico do Brasil, que define seu desempenho a partir da soma total de medalhas - independente da cor delas -, o CPB utiliza a contagem oficial, baseada no número de ouros. Assim, considerando a última Paralimpíada, o Brasil precisará ter um desempenho 50% superior.

“Nossa meta é ousada e realista. Se nos basearmos no quadro de medalhas de Londres, teríamos que superar nada menos que Estados Unidos e Austrália, duas potências olímpicas e paralímpicas”, pondera Andrew Parsons, presidente do CPB.

O desempenho alcançado no Parapan de Toronto, no mês passado, serve como alento. No Canadá, o Brasil conquistou mais de um terço das medalhas de ouro em disputa - foram 109 de um total de 307 possíveis. Além disso, a equipe brasileira levou 74 medalhas de prata e outras 74 de bronze. No total, foram 257 pódios.

“Queríamos manter o primeiro lugar que havíamos conquistado no Parapan de 2007, no Rio, e no de 2011, em Guadalajara. Mas fomos além das nossas próprias expectativas”, diz Parsons. “Ficamos felizes por todas as modalidades, mas foi muito importante ver a evolução de esportes como o tiro com arco, que saiu sem medalhas em Guadalajara e passou para duas de ouro e uma de prata, por exemplo.”

Mesmo assim, o CPB prega cautela. “Esse resultado serve como uma grande motivação para nossos atletas e aponta que estamos no caminho certo, mas sabemos que Parapan é Parapan e Paralimpíada é Paralimpíada”, ressalta o dirigente. “Se contarmos os dez primeiros lugares no quadro de medalha dos Jogos de Londres 2012, além do Brasil apenas os Estados Unidos estiveram no Parapan. Sabemos que não será fácil, mas estamos confiantes.”

Fora das pistas e das quadras, o CPB também fala em avanços. “Acreditamos que o principal impacto dos Jogos Paralímpicos será o da mudança da percepção em relação às pessoas com deficiência. Queremos mostrar que o esporte paralímpico é comercialmente viável, que se trata de uma competição de alto rendimento, com atletas de alto nível, e um grande entretenimento para as famílias.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Adaptações do evento devem ser pontuais em relação à Olimpíada

O trabalho do Comitê Rio-2016 para deixar tudo pronto para os Jogos Olímpicos é simultâneo ao dos Paralímpicos. “Tem algumas mudanças, mas trabalhamos com o conceito de integração operacional. Desde o início todas as áreas do Olímpico trabalharam integradas com as do Paralímpico. Queremos garantir que a gente tenha quase tudo pronto antes mesmo da Olimpíada”, destaca Mariana Mello, gerente geral de Integração Paralímpica do comitê.</p>

MARCIO DOLZAN, O ESTADO DE S. PAULO

07 Setembro 2015 | 07h00

As modificações necessárias deverão ser pontuais. “Algumas coisas não podem ser feitas antes porque são adaptações, mas talvez 95% da acessibilidade deverá ser feita já para os Jogos, até porque também há espectadores com necessidades especiais”, lembra Mariana. “Para a Paralimpíada a gente terá que adicionar algumas rampas, que são decorrentes de uma quantidade muito grande de atletas. Mas são mudanças mínimas.”

A questão da acessibilidade também é uma preocupação levada à própria cidade do Rio de Janeiro, e não apenas nas instalações para os Jogos. Apesar de isso ser responsabilidade da administração pública, o Comitê Rio-2016 atua em conjunto, reunindo-se mensalmente com representantes dos três entes de governo.

“A gente entende que o Rio é uma cidade desafiadora geograficamente, porque é muito grande, com muitos túneis e pouco metrô”, considera Mariana. “A gente sabe que a cidade não vai estar 100% acessível em 2016, mas os Jogos serão catalisadores disso. Nunca se falou tanto em acessibilidade, e nunca se fez tanto num período tão curto. Há um esforço, e já melhorou muito desde 2009, quando ganhamos a Paralimpíada. Já estamos deixando um legado.”

Neste último ano de preparação, o comitê também quer focar em ajustes - muitos dos quais deverão surgir com o decorrer dos eventos-teste - e na divulgação do evento. 

“A Paralimpíada não tem a mesma visibilidade que os Olímpicos”, observa Mariana. “Para despertar o interesse, vamos lembrar que o Brasil vai muito bem nos Jogos Paralímpicos e que possui alguns dos principais atletas do mundo em diversas modalidades. Queremos mostrar ainda que os Jogos são divertidos e também envolvem esporte de alto-rendimento.”

INGRESSOS

A venda de ingressos para os Jogos Paralímpicos inicia hoje. No total serão colocados à disposição 3,3 milhões de bilhetes. Desses, 80% serão para brasileiros. Assim como aconteceu para a Olimpíada, a primeira fase de venda será feita mediante sorteio, com o interessado podendo fazer a solicitação até o fim do mês.

“Os ingressos são acessíveis. Começam a R$ 10, com meia-entrada a R$ 5. Além disso, eles podem ser parcelados em até cinco vezes, o que nesse caso faz com que as parcelas sejam de R$ 1”, explica Donovan Ferreti, diretor de Ingressos do Comitê Rio-2016.

A Paralimpíada terá 315 sessões, incluindo as cerimônias de abertura e encerramento. Elas, aliás, têm os ingressos mais caros: eles variam de R$ 100 a R$ 1.200,00 na abertura, e de R$ 100 a R$ 1.000,00 no encerramento.

Mais conteúdo sobre:
Rio 2016Jogos Paralímpicos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.