Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Rio-2016 promete mais 'originalidade' em cerimônias dos Jogos

Abertura da Olimpíada no Rio deve custar R$ 140 milhões

MARCIO DOLZAN, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 17h44

As cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro deverão deixar o luxo de lado para chamar a atenção pela originalidade. Ao menos essa é a promessa do Comitê Rio-2016, que na festa de abertura promete gastar menos do que os 34 milhões de euros (R$ 153 milhões) investidos nos Jogos de Londres-2012. O comitê não divulgou valores, mas a estimativa é de que o custo chegue aos R$ 140 milhões na cerimônia que abrirá oficialmente os Jogos do Rio.

A equipe responsável é formada pelos diretores Fernando Meirelles, Andrucha Waddington e Daniela Thomas, além da carnavalesca Rosa Magalhães e do produtor-executivo Abel Gomes. Eles trabalham em conjunto com Leonardo Caetano, diretor de Cerimônias do comitê.

"Fazendo uma analogia aos carnavais mais antigos: a gente não vai competir na categoria luxo, e sim na categoria originalidade", prometeu Caetano, em entrevista coletiva realizada na tarde desta terça-feira.

O Rio-2016, porém, não revela valores. A entidade informou apenas que o orçamento ainda não está fechado e assegurou que será menor do que de Londres. O Estado apurou que a conta deve chegar aos R$ 140 milhões, somente para a cerimônia de abertura.

Sobre isso, Fernando Meirelles chegou a exagerar. "Não temos um valor fechado, mas a gente sabe que estamos trabalhando com uma verba dez vezes menor do que a da abertura de Londres (de R$ 153 milhões)", declarou, em pelo menos duas oportunidades. Mais tarde, porém, o cineasta disse que a afirmação "foi força de expressão".

Além da festa no gramado do Maracanã, o orçamento precisa considerar gastos com logística, instalações de estruturas extras para iluminação e até mesmo uma proteção ao gramado, que não pode ser danificado uma vez que ele receberá partidas do torneio de futebol, incluindo a decisão pelo ouro.

Mas a promessa dos envolvidos é que o orçamento um pouco mais comedido não irá atrapalhar. "Para gente, isso não é um limite, não é um drama. Não faz sentido o Brasil fazer uma cerimônia espalhafatosa, torrar dinheiro, num País que não tem saneamento. Bangu não tem saneamento. Não dá para gastar a fortuna que foi gasta em Pequim ou Londres", ponderou Meirelles. "A nossa expressão cultural é da falta de dinheiro. A feijoada é a sobra, o samba."

A citação ao bairro de Bangu, na zona oeste do Rio, não foi à toa. Será lá, no estádio de Moça Bonita, que a equipe comandará ensaios três vezes por semana a partir de abril. A escolha pelo local se deve às dimensões do gramado - similar ao espaço que será usado no Maracanã - e ao intuito dos organizadores em envolver os moradores das redondezas. O estádio também receberá reformas, em parceria com a Prefeitura do Rio.

No total, 12 mil voluntários estarão envolvidos, considerando as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. As inscrições para participar estão abertas até o dia 30 de setembro, no site do Comitê Rio-2016.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.