Carlos Barria / Reuters
Carlos Barria / Reuters

Como o conhecimento da Baía de Guanabara ajudou Martine e Kahena a levarem o bi em Tóquio

Martha Rocha Lobo, técnica da dupla novamente medalha de ouro na classe 49er FX, explica que estudo da mudança do vento, que costuma acontecer no Rio, foi fundamental

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 12h19

O bicampeonato olímpico da vela na classe 49er FX conquistado pela dupla Martine Grael e Kahena Kunze nesta terça-feira nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em águas japonesas veio também graças à Baía de Guanabara, onde há cinco anos as duas já haviam se consagrado. Como a própria Martine afirmou, o conhecimento que adquiriu desde cedo sobre a movimentação dos ventos e da maré no quintal de casa - que mudam com frequência - foi decisivo para que ela traçasse junto com Kahena a tática vitoriosa no outro lado do mundo.

"Antes da nossa competição eu dei uma passada lá no píer e percebi que havia uma diferença de corrente. Como sou de Niterói, estou acostumada com isso na Baía de Guanabara. Então conseguimos fazer uma largada mais livre pela direita e deu tudo certo", vibrou Martine após a conquista do segundo ouro olímpico.

Estadão entrou em contato com a técnica da dupla, Martha Rocha Lobo, que explicou como o conhecimento sobre a Baía de Guanabara ajudou Martine e Kahena a navegarem para o título nas águas do Yatch Club de Enoshima, que fica a pouco mais de 50 quilômetros de Tóquio.

Segundo ela, o estudo das condições do mar feito um pouco antes da prova acabou sendo fundamental. "Na vela há muitas variáveis a se analisar na hora de tomar decisões na regata, e muitas dessas decisões são tomadas antes mesmo da largada - não só a intensidade e as mudanças de vento, mas também a maré. Saber onde está a maré mais forte, pra que lado ela está correndo, isso tudo influencia no andamento do barco", comentou Martinha, como a técnica é conhecida.

Mudanças desse tipo são comuns na Baía de Guanabara, local que a dupla de velejadoras conhece como poucos. "A Martine é bastante acostumada a ler maré. Uma das habilidades dela, um dos talentos dela, é lidar com essas alterações da natureza, do vento e do mar. Ela conseguiu enxergar essa alteração de maré, e antes mesmo da largada ela já se posicionou para que pudesse cumprir taticamente um posicionamento favorável em relação a essa maré", pontuou a técnica.

"Quando elas velejaram logo depois da largada um pouco mais pra direita, elas conseguiram ficar livres do resto do pessoal, sem interferência de outros barcos, e o barco adquiriu mais velocidade", explicou Martinha. "Isso tudo colaborou para dar tudo certo nesse tão sonhado bicampeonato olímpico."

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