Luis Acosta/AFP
Luis Acosta/AFP

Condições climáticas mudam os Jogos Olímpicos de Tóquio

Depois do calor, agora é a vez de o risco de fortes ventos e chuva mexer com o evento

Raphael Ramos, enviado especial/TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 23h38

O verão quente, úmido e bastante instável do Japão tem mexido com os Jogos Olímpicos de Tóquio. Primeiro, por causa do calor escaldante. Agora, devido ao risco de fortes ventos e chuva.

Provas de tiro com arco, remo e vela tiveram seus horários e datas alteradas devido ao temor das condições climáticas desfavoráveis. “É uma tempestade tropical de três graus, numa escala até cinco. Então, não há o que se preocupar" tentou tranquilizar o porta-voz dos Jogos, Masa Takaya.

Os organizadores, no entanto, já se anteciparam e fizeram alterações significativas no calendário de várias competições. O tiro com arco, por exemplo, teve sessões de terça-feira adiadas para quarta e quinta-feira. No remo, provas de remo de terça-feira foram reprogramadas para o fim da semana, enquanto eventos de segunda-feira foram antecipados para o domingo.

Há, ainda, o medo de que o tufão feche aeroportos do país e cancele voos, como o caso da equipe de softball do Canadá, com passagem de volta para casa marcada para quarta-feira.

Outro risco é que uma possível tempestade eleve os níveis de esgoto despejados na Baía de Tóquio. Há dois anos, isso ocorreu na capital japonesa e o excesso de lixo no local provocou o cancelamento de uma prova de triatlo paralímpico porque não havia condições de os competidores nadarem no local após fortes chuvas na véspera.

"Algumas modalidades serão afetadas pelo clima", admitiu o diretor de esportes dos Jogos de Tóquio, Mikako Kotani. "Estamos em negociações com as federações internacionais e, se eles propuserem mudança de calendário, vamos considerar essa opção."

O skatista brasileiro Kelvin Hoefler, por exemplo, colocou a culpa da sua medalha de prata nas condições climáticas da capital japonesa. “Não fosse o vento, eu poderia ter ganhado o ouro. Infelizmente, errei duas manobras por causa disso”, disse.

Antes da chegada da chuva, nos primeiros dias dos Jogos foi o calor que castigou os atletas. O COB (Comitê Olímpico do Brasil), inclusive, tem distribuído aos atletas que disputam provas a céu aberto coletes e colares de refrigeração. São peças onde são colocadas pedras de gelo para reduzir a temperatura corporal dos competidores.

A russa Svetlana Gomboeva chegou a desmaiar devido à insolação nas provas de tiro com arco no Yumenoshima Park Archery Field. Ela precisou ser levada para a sala dos médicos. No final, ela se recuperou e ganhou a medalha de prata.

No tênis, o sérvio Novak Djokovic e o russo Daniil Medvedev reclamaram muito das altas temperaturas e conseguiram a ajuda da Federação Internacional, que passou a conceder um tempo extra para os atletas se recuperarem fisicamente. Agora, o intervalo passa a ser de dez minutos entre o segundo e o terceiro set, quando a temperatura exceder os 30,1ºC - no domingo, os termômetros atingiram os 33°C, com sensação térmica ainda maior por causa da umidade do ar. “Está muito quente e úmido, e as quadras duras absorvem o calor”, reclamou Djokovic.

No skate, os atletas relataram que o calor estava amolecendo as juntas de borracha dos eixos das rodas. Isso dificultava a execução de certas manobras.

Para a canoísta australiana Jessica Fox, o maior problema foi a temperatura da água. “É como remar na água do banho”, disse.

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