Suellen Amorim/ Estadão
Suellen Amorim/ Estadão

Condutor da tocha é retirado do percurso no Rio pela Força Nacional

Tarcisio Gomes protestava contra Temer e disse que sua “calça caiu”

Suellen Amorim, Estadão Conteúdo

03 de agosto de 2016 | 12h19

Um condutor da Tocha Olímpica foi imobilizado por agentes da Força Nacional de Segurança e retirado do percurso quando promovia um protesto contra o presidente interino Michel Temer na rua do Livramento, na zona portuária do Rio, nesta quarta (3).  Tarcisio Carlos Rodrigues Gomes,  de 31 anos, com a bermuda abaixada, exibia as palavras “Fora Temer” nas nádegas expostas por um biquíni cavado, de oncinha, enquanto um agente torcia seu braço para conduzi-lo. Foi dominado no chão e teve a tocha retirada das suas mãos por agentes da Força. Ao Estado, por telefone, disse que sua “calça caiu”.

Tarcísio é músico e toca nos blocos de carnaval “Amigos da Onça” e no “Vulcão Erupçado”. Amigos de Gomes o aplaudiram e gritaram palavras de ordem contra o presidente interino. Um vídeo do incidente foi postado no Twitter pelo usuário Leonardo Guidolini (@guidolinil).

“É uma forma de protestar contra a ‘cidade do medo’ que vivemos durante a Olimpíada. Estamos sufocados”, disse o produtor cultural Diogo Rodrigues,  27, amigo de Tarcísio.

A contadora Sérgia Rodrigues, 46, prima de Tarcísio, disse que Gomes “desligou duas vezes na cara do pessoal do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que ligou para ele (para fazer o convite). Pensou que era mentira”, disse ela, que seguiu o músico no trajeto. Uma vez escolhido para levar o fogo olímpico, ele resolveu fazer usar o momento para fazer um protesto contra o presidente em exercício, Michel Temer.

De acordo com o Comitê Rio 2016, Gomes teria se jogado no chão e, por motivos de segurança, foi carregado . Um agente da Força Nacional retirou a tocha de suas mãos e passou o fogo olímpico para o próximo condutor. Então o gás da tocha levada por Gomes foi desligado. 

O  Rio 2016 informou ainda que o condutor da tocha assina um termo de compromisso e não pode fazer nenhum tipo de manifestação política. O regulamento não prevê nenhum tipo de sanção, mas o condutor assume um compromisso. O comitê reiterou que o revezamento é apartidário e apolítico, não cabendo manifestações nesse momento.

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