'Conexão Japeri' se destaca entre os jovens talentos do projeto

Quatro jogadores da cidade da Baixada Fluminense, que fica a 95 km da capital, estão no grupo que almeja o alto rendimento

Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 17h00

Durante o processo de seleção dos 12 participantes do Futuro do Golfe, foram escolhidos quatro jovens da cidade de Japeri, na Baixada Fluminense. Por causa da distância – de aproximadamente 95 quilômetros – para os campos do projeto, eles treinam nos dias úteis no Japeri Golfe Clube, que os revelou, e no sábado viajam para a capital, onde passam o dia realizando o cronograma de atividades e de treinamento.

Um deles é Breno Domingos, de 17 anos. “Eu jogava futebol, cheguei perto de ser jogador, mas apareceu o golfe, aí já sabe”, contou o atleta, que é o terceiro do ranking amador do Rio. Ele foi apresentado ao esporte há seis anos por intermédio de um projeto social, também promovido pela FGERJ, no campo de Japeri.

Filho de um pintor e de uma dona de casa, ele concluiu o ensino médio no ano passado e está prestes a iniciar o curso de engenharia civil na Universidade Estácio de Sá com bolsa integral, graças ao Futuro do Golfe. “Conseguir dar uma bolsa a esses jovens de Japeri já é um golaço”, comemorou Pereira Jr., idealizador do projeto.

Revelado no mesmo campo que Breno, Cristian Barcelos, de 19 anos, está vendo o esporte mudar sua vida. Ele já foi campeão brasileiro juvenil em 2012 e, hoje, ocupa o segundo lugar do ranking estadual amador. Mas não teve um início fácil. “Meus pais achavam que era esporte para rico. Meus amigos me zoavam para caramba, falavam que eu corria atrás da bolinha”, brincou. “Mas hoje em dia eles me dizem para correr atrás desse sonho.”

Vicky Whyte, ex-diretora da FGERJ e presidente do clube de Japeri, efetivou Cristian como instrutor no campo local. Ele ganha R$ 800 por mês, dinheiro oportuno na complementação da renda de sua família, formada por três irmãos, o pai policial militar e a mãe, que deixou o trabalho de cabeleireira por causa de um problema de saúde.

“Ele tinha de trabalhar ou jogar. Então, eu falei: ‘ele vai trabalhar em Japeri e a gente libera ele para os campeonatos fora’”, contou Vicky, orgulhosa. “Hoje ele é ídolo das crianças.” 

Cristian ficou fora da escola por quatro anos e corre para concluir o ensino médio porque já decidiu, em seguida, estudar Educação Física, para poder fazer carreira de professor.

Vicky ainda contou sobre as dificuldades impostas aos jovens pelo alto custo do esporte. “Os tacos bons e do ano custam mais de mil dólares. Tem que ter sapato novo, equipamento novo, bolas das melhores”, enumerou. “Os custos nesse país são tão grandes para qualquer campeonato.” 

Ela admite ter se surpreendido pelo fato de eles terem chegado tão longe no esporte. “As diferenças financeiras entre eles e o mundo do golfe são grandes”, considerou. “Realmente não esperava."

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