Fábio Motta/Estadão
A mineira Ana Sátila treina para os Jogos no canal de canoagem construído no Complexo de Deodoro, no Rio Fábio Motta/Estadão

Conheça brasileiros que podem surpreender nos Jogos do Rio

Veja quais atletas evoluem em suas modalidades na reta final

PAULO FAVERO, O ESTADO DE S.PAULO

09 de julho de 2016 | 17h00

Especialistas costumam fazer projeções de quantas medalhas cada país terá nos Jogos Olímpicos e quais atletas subirão ao pódio. Claro que tudo se baseia em resultados no último ciclo olímpico e a força dos adversários. Em qualquer amostragem, nomes como o de Arthur Zanetti (ginástica artística), Isaquias Queiroz (canoagem velocidade), Martine Grael e Kahena Kunze (vela) e as equipes de vôlei e vôlei de praia aparecem.

A meta do COB (Comitê Olímpico do Brasil) é alcança o top 10 no quadro de medalhas pelo número total de pódios. A expectativa é que entre 24 e 30 medalhas esse objetivo possa ser alcançado. Para isso, os atletas considerados favoritos precisam confirmar isso nos Jogos e alguns cotados necessitam chegar longe para que a meta seja atingida.

Mas também existem atletas que apresentam uma evolução grande nos últimos meses antes dos Jogos que acabam furando a fila e aparecendo como candidatos a roubar um lugar no pódio. Por isso, é bom ficar de olho em nomes que estão tendo um bom crescimento na reta final e chegam sem a pressão dos favoritos, como Felipe Wu, do tiro esportivo, que lidera o ranking mundial na pistola de ar 10 m, e Thiago Braz, do salto com vara, que já obteve 5,85 m na temporada.

Outros dois nomes também merecem atenção. Ana Sátila, da canoagem slalom, teve um ano muito bom e pode estragar a festa das favoritas no K1 da canoagem slalom. Já o nadador João Gomes Júnior obteve o melhor tempo da vida neste ano e tem condições de brigar por medalha nos 100 m peito. Em comum, os dois têm história de superação e uma evolução nítida nos últimos meses. Assim como eles, outros podem surpreender também e fazer a alegria da torcida brasileira.

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Brasileira quer pódio na canoagem slalom

Evolução de Ana Sátila faz atleta sonhar com medalha

PAULO FAVERO, O ESTADO DE S.PAULLO

09 de julho de 2016 | 17h00

Ana Sátila pode ser considerada um fenômeno na canoagem slalom. Caçula da delegação brasileira nos Jogos de Londres, em 2012, quando tinha apenas 16 anos, a garota agora chega para a competição em casa mais experiente e com a quarta posição no ranking mundial. A notável evolução faz com que ela possa sonhar com um pódio quando, no início do ciclo olímpico, não aparecia entre as cotadas para medalha.

“Acho que agora é dedicação total, focar nos treinos e principalmente no aspecto psicológico. Procuro manter a rotina normal e ficar cada vez mais concentrada pensando que será mais uma prova tão importante quanto às outras”, diz a garota, que nasceu em Iturama (MG), mas cresceu em Primavera do Leste, no Mato Grosso, onde descobriu a modalidade.

Com um talento nato, logo foi descoberta e convidada a se mudar para Foz do Iguaçu, no Paraná, para treinar no Canal de Itaipu. Tinha apenas 9 anos e sua mãe tomou a decisão de ir junto com a garota e passou a ser governanta na Casa dos Atletas. Todo o esforço da família parece ter valido a pena.

“Acho que cresci no esporte. Na época em Londres não consegui alcançar vaga nas semifinais, mas hoje chego como a quarta melhor do mundo na minha categoria. Chego com mais responsabilidade e madura, pois em 2012 tudo era novo. Hoje consigo driblar mais isso e focar nos meus objetivos”, comenta.

Um dos trunfos de Ana Sátila é a familiaridade com o canal de canoagem slalom que foi construído no Complexo de Deodoro. “Acho que já desci mais de 500 vezes lá. Claro que todo mundo treinou o mesmo tempo na pista, mas acho que competir no Brasil e não precisar se adaptar com o clima e com o País ajuda, principalmente com a torcida apoiando”, diz.

A atleta elogia bastante o canal e confessa que está muito contente por existir uma estrutura como essas no Brasil. “Quando comecei a remar lá, penei um pouco, mas hoje já conheço bem os detalhes e estou muito familiarizada com ele. É uma pista com detalhes, boas remontas, rápida e que exige muita técnica nossa.”

A construção desse tipo de estrutura esportiva ajuda a desenvolver a modalidade. Uma das melhores canoístas do mundo, a australiana Jessica Fox, pôde treinar em canais construídos em seu país. “Ela tem a mesma idade que eu e acho que é uma das principais adversárias que tenho, é uma forte concorrente”, explica Ana Sátila, que espera chegar à final olímpica. “Depois disso, tudo pode acontecer.”

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Na piscina, a chance da redenção para João Gomes Júnior

Brasileiro é candidato a pódio no 100 m peito

PAULO FAVERO, O ESTADO DE S.PAULO

09 de julho de 2016 | 17h00

Terceiro no ranking mundial nos 100 m peito, João Gomes Júnior passou a ser considerado um candidato ao pódio na Olimpíada após fazer uma ótima marca no Troféu Maria Lenk e bater seu recorde pessoal. Com os 59s06, ele está atrás apenas do fenômeno britânico Adam Peaty (58s36) e do norte-americano Kevin Cordes (58s94). Claro que por um milésimo ele pode ficar se medalha, mas também pode ser ouro por uma diferença mínima.

Aos 30 anos, o capixaba sabe que o ótimo tempo que fez o coloca em boas condições para os Jogos e garante estar pronto para cumprir a missão. “A responsabilidade aumenta um pouco, pois tem a cobrança da torcida, da família, do técnico, mas a minha também aumenta. Hoje vejo que sou mais capaz do que eu era. Minha cobrança interna é um pouco maior e já consigo lidar com ela”, diz.

O nadador do Clube Pinheiros lembra que o ótimo resultado que fez o credenciaria na Olimpíada passada, em Londres, a ser medalhista. “Então entro nesta edição dos Jogos com o mundo inteiro me olhando, querendo saber quem é esse cara e o que ele fez. Mas isso só aumenta mais minha vontade e minha gana de conquistar uma medalha”, afirma.

No ano passado, João Gomes foi pego no exame antidoping e punido por seis meses. Ficou fora dos Jogos Pan-Americanos de Toronto e do Mundial de Esportes Aquáticos, em Kazan. “Não desejo isso nem para o meu pior inimigo, é a pior coisa que pode ocorrer com um atleta. Mas sei da minha índole”, avisa, lembrando que tudo isso lhe deu forças. “Só fez eu perceber o quanto eu quero. Só tiro coisas boas desse episódio aí, que para mim já é passado. Não penso nisso no dia a dia. Aumentou mais minha tolerância à dor, eu suporto mais as coisas, então só vejo pontos positivos.”

O atleta conta que está fazendo uma preparação semelhante a da última temporada, mas acrescentou uma coisa nova que foi o treinamento de altitude, na Espanha. “Nunca havia feito e hoje consigo perceber que foi de grande valia. Sofri bastante pela falta de oxigênio, mas de resto minha temporada está redonda e estou mais à vontade”, explica.

Outro ponto que ele já está trabalhando e vai aprimorar é em relação ao seu relógio biológico. Como nos Jogos do Rio as finais da natação começarão a partir das 22h, ele já está condicionando seu corpo para lidar com esse novo ritmo. “Eu já venho me programando para dormir um pouquinho mais tarde. Estou atrasando meu sono, indo dormir meia-noite, mas tendo a quantidade total de horas de sono que eu preciso todos os dias.”

Ele também vai participar, com o apoio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e do Comitê Olímpico do Brasil, de uma clínica do sono no período de aclimatação da equipe de natação. “Como vamos competir à noite, a ideia é desligar um pouco a energia do corpo e manter a energia do corpo até a hora de nadar. Nos Jogos, a gente vai dormir por volta de 2h ou 3 da manhã, para estar competindo de novo ao meio-dia mais ou menos”, lembra.

Foi no Rio que ele fez o melhor tempo da vida e espera repetir a dose durante a Olimpíada. Ele sabe que a presença dos fãs será fundamental para que ele consiga isso. “Para mim, a melhor coisa é estar nos Jogos Olímpicos no meu país, vestindo minha bandeira. Não tem coisa melhor para acontecer. Tenho fé que vem coisa melhor por aí. Vou representar 200 milhões de brasileiros, não vejo peso, só fico mais feliz por ter uma torcida gigante lá”, conclui, na esperança de que a cada braçada para respirar, o barulho da massa o ajude como se fosse um empurrão dentro da piscina.

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As estrelas, os ausentes e as dúvidas para os Jogos do Rio

Phelps está confirmado; Bolt é nome quase certo; Isinbayeva luta para competir

Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2016 | 17h06

Embora a lista de ausências da Olimpíada tenha LeBron James, Stephen Curry, Cesar Cielo e Maria Sharapova, o time dos presentes conta com Michael Phelps, maior medalhista da história, e provavelmente Usain Bolt, que busca o inédito tri nos 100 m e 200 m rasos. Serena Williams, que pode completar seis medalhas de ouro nos Jogos, também está confirmada.

A principal dúvida é Yelena Isinbayeva, bicampeã do salto com vara, que recorreu à federação internacional pelo direito de saltar após o escândalo de doping na Rússia. Novac Djokovic ainda não confirmou se estará no Rio. Vários atletas chegam com o desafio de mais uma medalha de ouro.

A trajetória de Phelps e Bolt tem um apelo adicional: o fim da carreira. Depois de se aposentar em Londres/2012 e retornar às piscinas em 2014, Phelps obteve três vagas individuais na seletiva dos EUA e pode brigar por até seis medalhas de ouro no Brasil, somando-se os revezamentos. Está pronto para encerrar a carreira aos 31 anos no alto do pódio.

Bolt vai se aposentar após o Mundial de Londres em 2017. Plano feito antes das lesões recentes. “Não posso prever quem será o seu substituto. Ele deixará um enorme legado no esporte”, diz o técnico jamaicano Paul Francis.

Já estão confirmados também os candidatos a superastros, como o judoca francês Teddy Riner, dono de oito títulos mundiais e uma medalha de ouro. Ele chega ao Rio para se tornar o maior judoca da França na história. Na natação, estão Missy Franklin, dona de cinco medalhas, quatro de ouro, em Londres, e Katie Ledecky, considerada a sucessora de Phelps e que já bateu 11 recordes mundiais. Isso aos 19 anos. O fundista Mo Farah, campeão mundial e olímpico britânico, é uma barbada nos 5 mil e 10 mil metros.

A situação de Isinbayeva é uma incógnita. A Corte Arbitral do Esporte (CAS) decidirá se os 68 atletas russos que pediram isenção do banimento poderão participar da Olimpíada. O veredicto será dia 21 de julho. “Não posso dar opinião. A Fabiana (Murer) já ganhou e já perdeu de atletas russos”, diz o técnico Elson Miranda.

A ausência dos astros da NBA será sentida. Oito já avisaram que não vão jogar no Rio, entre eles, o astro Stephen Curry e o campeão LeBron James. O golfe, que retorna aos Jogos após 112 anos, tem a maior lista de ausências, entre elas, a de Rory McIlroy, quatro vezes ganhador de Grand Slam, além do número 1 da atualidade, Jason Day, e o segundo, Dustin Johnson. No tênis, Sharapova está suspensa por dois anos por ser flagrada em exame antidoping. Para os brasileiros, a ausência mais sentida é a de Cielo. Até Ítalo Manzine, o nadador que roubou a vaga do campeão, lamenta. “É meu ídolo. Vai fazer falta”.

A proximidade da aposentadoria não diminui a competitividade de Phelps, que estará no Rio para aumentar a coleção de medalhas: 22 ao todo. Essa é a opinião de especialistas sobre a condição física e emocional do maior medalhista da história dos Jogos. Em relação ao velocista Usain Bolt, os jamaicanos estão cautelosos; os brasileiros, otimistas. “Phelps vem ao Rio ampliar a coleção de medalhas que ele já possui”, diz Ricardo de Moura, superintendente executivo da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). “Ele está preparado psicológica e fisicamente para ganhar. Agora, se serão todas de ouro, são outros quinhentos.”

PROJEÇÕES

Arilson Silva, ex-técnico de Cesar Cielo, lembra que Phelps nadou para o melhor tempo do mundo na temporada passada nos 100 m borboleta nas competições norte-americanas, mesmo sem ter participado do Mundial de Kazan. “Neste ano, ele tem a segunda melhor marca nessa prova (100 m borboleta), o 2.º tempo nos 200 m medley e 6.º nos 200 m borboleta. A comparação pode ser pelos tempos ou pelas posições no ranking e competições, mas sem dúvida ele fará performances nesse nível.”

Detentor de três recordes mundiais (100 m borboleta, 200 m borboleta e 400 m medley), Phelps vai brigar por até seis medalhas e luta para ser o primeiro tetracampeão na história dos 200 metros medley. Mesmo assim, ele mostrou certa frustração após os resultados da seletiva americana. “É frustrante, pois sei que apesar de vencer não consigo nadar ao mesmo ritmo e velocidade do passado. Estou em boa forma, mas consigo ser mais rápido. Nesta fase da carreira não ponho limite de tempo ou metas, mas sei que posso fazer melhor”.

Sobre Bolt, as certezas desaparecem. Membros da Associação Jamaicana de Atletismo evitam fazer projeções antes da definição sobre sua ida aos Jogos – na sexta, como era esperado, ele confirmou presença na etapa de Londres da Liga Diamante. O técnico Glen Mills reconhece que Bolt estava em melhor forma física em Londres-2012. “Ele precisa estar confirmado primeiro antes de falarmos sobre expectativas para a Olimpíada”, disse Mills.

Michael Fennell, presidente da Associação Olímpica da Jamaica, também coloca sua opinião no condicional. “Uma vez que Bolt esteja em forma, ele estará no topo”, afirma.

Os brasileiros mostram otimismo. “Não dá para ter dúvidas sobre o Bolt. Se ele se apresentar, será favorito”, analisa Antonio Carlos Gomes, superintendente de Alto Rendimento da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). “Torço para que ele esteja bem. Ele é um espetáculo e precisamos desse espetáculo.”

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