Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Conheça o dirigente que quer transformar o polo aquático no Brasil

Ricardo Azevedo se apega na tese de que o Brasil tem formado grandes atletas nos últimos tempos e é um país aquático

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 11h02

Ricardo Azevedo, coordenador de seleções da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), tem um projeto de fazer com que o polo aquático volte a crescer no País. O pai de Tony Azevedo, que foi por muitos anos capitão dos EUA e medalhista olímpico, lembra que o Brasil tem talentos e precisa fazer com que eles permaneçam no País. "Em 2024 temos boa oportunidade para brigar e ficar entre os seis mais bem colocados, acho que temos condições para isso, e temos grande possibilidade em 2028 de poder entrar, nos Jogos de Los Angeles, entre os quatro mais bem colocados. No masculino e no feminino", avisa, em entrevista ao Estadão.

Ele se apega na tese de que o Brasil tem grandes atletas e é um país aquático. E cita que há algumas décadas a seleção ganhava de Grécia, Espanha, chegou a conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1963, mas com o tempo passou a não ter mais esse domínio. "Então temos de trazer isso de volta, pois atleta tem, piscina tem e o próprio pensamento tem. O que não temos é uma estrutura em que os jogadores possam crescer, vir de todas as partes do País, não só do eixo Rio-São Paulo, e continuar oferecendo aos técnicos, árbitros e profissionais do polo aquático o maior número de oportunidades para crescer tecnicamente."

 

No Brasil, cerca de 4 mil atletas, a partir da categoria Sub-13, praticam o polo aquático em aproximadamente 45 clubes, espalhados em 18 Estados do país. Por ser uma modalidade que necessita de uma piscina e outras estruturas para o treinamento, o acesso não é tão simples para quem está a fim de iniciar nesse esporte. Mas segundo a própria CBDA, já existem 370 professores de educação física que trabalham com o polo aquático e 37 técnicos que trabalham com as equipes. A ideia é promover uma popularização maior também.

Um dos exemplos citados por Rick Azevedo é em relação aos principais jogadores de algumas seleções que estiveram nos Jogos Olímpicos do Rio. Pietro Figlioli, Felipe Perrone e Tony Azevedo nasceram no Brasil, mas optaram em algum momento da carreira por vestir a camisa de outra seleção. Para o coordenador da CBDA, o mais importante é tentar segurar os novos Felipes e Tonys no País, dando condições para eles se desenvolverem. "Eles já estão aqui, é só questão de querer.  Se conseguirmos fazer isso, em seis anos podemos jogar para entrar em um pódio. É totalmente possível", argumenta.

Azevedo fez trabalhos importantes no polo aquático nos Estados Unidos, China e Itália. Tem mercado em diversas partes do mundo, mas optou por retornar às suas origens para ajudar nesse projeto da CBDA. "A razão de vir para cá é muito simples, e definitivamente não foi financeira. Eu sou brasileiro, sempre fui, sempre serei e acho que posso trazer a experiência de já ter conseguido vários prêmios no mundo todo. A razão de vir para cá é colocar o Brasil no pódio. Quero que as pessoas se agreguem a esse pensamento, devemos ser mais positivos, atacar e ser agressivos", explica.

Uma ideia que está implantando nas seleções masculina e feminina é a de sempre ter jovens talentos nas convocações. Recentemente, o Brasil tinha uma atleta de 14 anos na equipe adulta (Bia Mantellato) durante a Copa Uana. Mas Azevedo garante que isso não é uma regra, apenas questão de lógica. "Quero que sejam chamados os melhores jogadores, mas o que não posso fazer é investir em um atleta que vai parar daqui a seis meses. Até porque nosso fim são os Jogos Olímpicos de 2024 e 2028, pois 2020 já está muito perto. O que quero dos atletas é um comprometimento que eles vão treinar a esse nível até lá. Só isso."

No último ciclo olímpico, o Brasil investiu em dois treinadores renomados, o croata Radko Rudic no masculino, considerado o melhor do mundo, e o canadense Pat Oaten no feminino. "São dois grandes técnicos e pessoas, infelizmente saíram, mas acho que eles deixaram um método de trabalho bom. Depois da Olimpíada teve problema de falta de dinheiro, de mudanças. Espero que o legado que eles deixaram de ser profissional e treinar para uma razão, espero que isso o pessoal ainda se lembre."

 

Agora, com recursos mais escassos, Azevedo sabe que os desafios serão maiores para fazer o time ser competitivo internacionalmente. "Vários países, inclusive campeões olímpicos, estão passando por essa crise financeira. O que temos de fazer é usar o maior número possível de voluntários quando der, e logicamente fazer as coisas com mais simplicidade. Em vez de festas grandes, vamos fazer apenas pizza com guaraná. Isso ajuda a não sacrificar o treinamento e o desenvolvimento do atleta", afirma.

Ele cita exemplos de países bons na modalidade, como Sérvia, Grécia e Espanha, que passam por crises monetárias grandes. "Mesmo os Estados Unidos, que ficaram fechados por um mês. Tem muita coisa acontecendo no mundo e não são diferentes daqui. É questão de encarar e seguir em frente", comenta, empolgado.

 

 

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