Ina Fassbender/AFP
Ina Fassbender/AFP

Conheça Ryan Crouser, o americano que bateu o próprio recorde olímpico 3 vezes no arremesso de peso

Gigante de 2,01 metros de altura e 145 kg conquistou em Tóquio o segundo ouro consecutivo, para azar do brasileiro Darlan Romani

Raphael Ramos, enviado especial / Tóquio, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2021 | 07h27

Não havia nenhum torcedor para aplaudi-lo, mas mesmo assim Ryan Crouser fez questão de, orgulhosamente, dar uma volta inteira no Estádio de Olímpico de Tóquio nesta quinta-feira, bem devagarzinho, com óculos escuros, uma bandeira dos Estados Unidos sobre os ombros, chapéu estilo cowboy e um cartaz com a frase: “Vovô, conseguimos, campeão olímpico de 2020!”. Era o seu momento de curtir um feito absurdamente espetacular que ele acabara de alcançar e homenagear o avô Larry, que morreu uma semana antes do início dos Jogos Olímpicos.

Esse gigante de 2,01 metros de altura, 145 kg e 28 anos, ganhou o ouro no arremesso de peso realizando nada menos do que os cinco melhores arremessos da prova. Isso significa que, se fosse possível, ele teria faturado a prata e o bronze também. Ninguém chegou nem perto de ameaçá-lo durante a disputa. Crouser quebrou o seu próprio recorde olímpico três vezes na prova, a última com incríveis 23,30 metros. Ficou apenas sete centímetros distante do também seu recorde mundial.

Para azar do brasileiro Darlan Romani, ele é contemporâneo de alguém que parece imbatível no arremesso de peso. O brasileiro fez 21,88m, sua melhor marca no ano, mas terminou fora do pódio, na quarta colocação. A prata ficou com o norte-americano Joe Kovacs (22,65m) e o bronze foi para Tom Walsh, da Nova Zelândia, com 22,47m. A composição do pódio foi exatamente igual à dos Jogos do Rio, em 2016. Foi a primeira vez em toda a história olímpica que os mesmos atletas ganharam ouro, prata e bronze em duas edições consecutivas dos Jogos.

Por isso, é até compreensível o tom resignado da declaração de Darlan depois do quarto lugar. “Os meninos estão de parabéns. Crouser mais uma vez com 23 metros. Os caras são bons, não tem muito o que falar. Foi uma excelente competição.”

Não é exagero dizer que Crouser é dono da prova que consiste em conferir quem tem mais força e técnica para jogar uma bola de 7,26 quilos o mais longe possível. Desde a derrota no Mundial de Doha, em 2019, ele não perdeu mais e ostenta uma sequência ininterrupta de 23 vitórias.

“A chave aqui foi conseguir um grande arremesso logo cedo. Como a vitória estava solidificada, pude ser mais agressivo e perseguir arremessos cada vez mais distantes”, contou Crouser.

Ao conhecer melhor a história de Crouser fica mais fácil entender o porquê ele fez questão de caminhar lentamente pelo Estádio Olímpico vazio após conquistar o bicampeonato olímpico. “Meu avô sempre me dizia para aproveitar o momento”, contou. “Ele era meu maior fã. Quando quebrei o recorde mundial, ele assistiu àquele arremesso no iPad milhares e milhares de vezes.”

O atletismo está no sangue de Crouser. O tio Brian disputou os Jogos Olímpicos de Seul-1988 e Barcelona-1992 no lançamento de dardo. Já seu pai, Mitch, foi reserva da equipe dos Estados Unidos do lançamento de disco em Los Angeles-1984 e hoje é seu treinador.

Foi no quintal da casa do avô que Crouser deu seus primeiros arremessos, ainda na infância. “Se fosse hoje, a bola teria ido no quintal do vizinho, talvez tivesse atingido um prédio ou uma casa”, brincou com um largo sorriso.

Em toda a história do arremesso de peso, Crouser é apenas o quarto homem a ganhar duas medalhas de ouro olímpicas, igualando as conquistas dos seus compatriotas Ralph Rose (1904 e 1908) e Parry O’Brien (1952 e 1956) e do polonês Tomasz Majewski (2008 e 2012). Alguém duvida que em Paris-2024 Crouser vai deixá-los para trás?

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