Construtora culpa erro em projeto por atraso no velódromo

Início da obra demorou quatro meses por causa de falha e teve um aditivo de R$ 25 milhões no contrato

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2016 | 05h00

Palco de provas de velocidade no ciclismo, o velódromo do Parque Olímpico da Barra, tem se notabilizado justamente pelo oposto: a demora. Considerada uma das construções mais difíceis devido à engenharia complexa da pista, a obra foi prejudicada por erros nos projetos básico e executivo, o que culminou no atraso de quatro meses no seu início. Não bastasse isso, a empresa que venceu a licitação está em recuperação judicial e precisou subcontratar outra empreiteira para executar o serviço. Para completar, a Prefeitura do Rio decidiu romper o contrato com a construtora este mês, e o caso está na Justiça.

Contratada em fevereiro de 2014, a Tecnosolo questiona o rompimento. A construtora reclama atraso nos repasses da prefeitura – que afirma estar em dia com os pagamentos – e aponta para erros nos projetos básico e executivo. Segundo a empreiteira, os projetos apresentados no momento da assinatura do acordo precisaram ser refeitos sob risco de a obra apresentar “um enorme risco à população”.

A mudança no escopo do contrato e o atraso nas obras obrigou a Prefeitura do Rio a autorizar um aditivo no contrato. Orçado em R$ 118 milhões, o velódromo tem custo agora de R$ 143 milhões, um aumento de R$ 25 milhões. Mesmo assim, ainda não há data específica para ser entregue. “Será em junho”, promete a Empresa Olímpica Municipal (EOM).

A EOM culpa a empreiteira pelos atrasos e decidiu romper o contrato no último dia 17. No lugar da empreiteira, quem executa as obras é a Engetécnica. A empresa já trabalhava na instalação olímpica desde fevereiro deste ano, subcontratada pela própria Tecnosolo.

Nos bastidores, já há quem se dá por satisfeito se o velódromo for entregue em totais condições de disputa. Mas isso provavelmente só será sabido durante os Jogos do Rio, já que o local não terá nenhum evento-teste. O motivo: o velódromo, que deveria estar pronto em dezembro do ano passado, atingiu nesta semana apenas 88% de índice de execução.

O que acontece no velódromo do Rio-2016 é bem diferente do que foi visto na última Olimpíada. Há quatro anos, a construção era a menina dos olhos dos Jogos de Londres pela complexidade e cuidado com os detalhes. Não era para menos: durante a competição, o príncipe William e a duquesa Kate Middleton foram dois dos torcedores ilustres a assistirem a uma das provas. Paul McCartney também foi lá.

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