Zeca Resendes
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Coronavírus cancela etapas no golfe e atrapalha busca de brasileiro para vaga olímpica

Adilson da Silva sobe dez posições com o 16º lugar na Malásia, na oitava etapa do Circuito Asiático e chega a 353ª posição

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 08h00

O surto de coronavírus em diversos países tem afetado os atletas em busca de pontos ou índices para os Jogos de Tóquio. No golfe, a situação é parecida com a de diversas outras modalidades. O brasileiro Adilson da Silva subiu dez posições com o 16º lugar no Bandar Malaysia Open, a oitava etapa do Circuito Asiático e chegou a 353ª posição. No momento, o último classificado para a Olimpíada aparece no 249º lugar.

"A situação não é fácil para ninguém. Competições estão sendo canceladas, mas vou ter de jogar bem nos próximos torneios que tenho no programa. Acho que ainda tenho tempo de me classificar para os Jogos Olímpicos", avisou o atleta, que não poderá competir na Tailândia na próxima semana porque o evento foi cancelado, assim como o Volvo China Open.

"Talvez se a situação piorar, com mais torneios a serem cancelados, a coisa toda talvez tenha de mudar em relação à classificação para a Olimpíada. No momento tem preocupação até de os Jogos Olímpicos serem adiados para outra data. Mas ao mesmo tempo, na China os casos da doença já estão diminuindo e o pessoal, devagarinho, está voltando para o trabalho", avisou.

Ele jogou na Malásia na semana passada e viu a competição na Tailândia ser adiada para outra data. Também tem na mira o Aberto da Índia, mas o torneio está com chance de também ser cancelado. Outros dois que podem ficar fora do calendário de momento são os campeonatos no Japão e na Coreia do Sul, dois lugares que estão com muitos casos de coronavírus.

"Mudei minha programação e acabamos ficando aqui na Malásia, treinando para ir para Índia no domingo à noite. O patrocinador e o Tour Europeu estão confiantes de que vai dar tudo certo com o torneio lá, mas tem jogadores de alguns países como o Japão, Coreia do Sul, Itália e outros que não são permitidos ir para Índia. Se eles não cancelarem até o final dessa semana, daí então deve ocorrer. Vamos ter de esperar."

Preocupada com a situação, e também com a busca de seus atletas pela vaga olímpica, a Confederação Brasileira de Golfe (CBGolfe) está em contato permanente com a federação internacional da modalidade para saber dos desdobramentos desse problema global e também para ajudar a propor soluções para que os competidores não sejam muito afetados.

"A confederação está atenta à situação do covid-19 e à participação de atletas brasileiros em circuitos internacionais. O caso do Adilson da Silva é o que mais chama atenção, levando em conta que é o golfista brasileiro mais bem ranqueado e com maior chance de disputa dos Jogos de Tóquio 2020, e que disputa os Circuitos Asiático, Europeu e Africano", diz Euclides Gusi, presidente da CBGolfe.

"Com os recentes anúncios de cancelamento de algumas etapas desses circuitos, a CBGolfe enviou uma carta para a Federação Internacional de Golfe (IGF) consultando sobre um posicionamento em relação ao Ranking Olímpico e quais atitudes serão tomadas em relação ao cancelamento de etapas, e por consequência, da diminuição considerável da disputa de pontos pelas vagas olímpicas", continuou.

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