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Criadores dos mascotes olímpicos revelam influência de Pokémons

Equipe que produziu os personagens conta com apenas 13 pessoas

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

30 Março 2015 | 14h04

Quem observa os mascotes dos Jogos Olímpicos do Rio de 2016, Vinícius e Tom, mal imagina que eles foram projetados por um time de apenas 13 pessoas. Pois foi exatamente isso que aconteceu. O Estúdio Birdo, localizado em São Paulo e fundado pelo publicitário Paulo de Souza e pela arquiteta Luciana Eguti, produziu o desenho dos personagens representativos da Olimpíada enfrentando a concorrência de uma série de grandes estúdios. Segundo os criadores, a receita para o sucesso foi a de manter os ideais do grupo, ao invés de buscar 'agradar' o júri fugindo da linha de produção da equipe.

Oito meses antes da apresentação dos mascotes, Paulo e Luciana, que inauguraram o estúdio em 2005, receberam a notícia da aprovação, mas tiveram de manter a informação em completo sigilo até o momento do anúncio oficial. "Alugamos uma van e, no estilo Pequena Miss Sunshine (longa-metragem hollywoodiano indicado ao Oscar de melhor filme em 2007), levamos todos da equipe ao Rio de Janeiro, dizendo que havia uma reunião e que todos deveriam comparecer. É óbvio que suspeitaram, mas, quando recebemos a confirmação oficial, todos pudemos comemorar juntos", revela Paulo. Á frente do estúdio desde sua fundação, Paulo e Luciana fazem questão de frisar a polivalência e a coletividade com que os projetos são produzidos pela empresa.

"Nosso perfil é bastante generalista. Não contamos com pessoas que saibam apenas animar, desenhar ou ilustrar, mas tudo é feito em um grande trabalho coletivo, aberto a sugestões de todos", garantem os sócios. O Estúdio Birdo foi fundado há dez anos em uma sala de apenas 30m², com dois computadores e uma máquina de fax (que, aliás, permanece no local até hoje), sob o comando de Paulo e Luciana. A amizade entre os dois começou na época em que eram colegas no trabalho de animação em uma agência digital. No horário de almoço, eles costumavam trocar Pokemóns em seus jogos de Game-boy. A influência de personagens de games e de desenhos japoneses é notável no desenho final dos mascotes da Olimpíada.

"Isso é natural. Buscamos produzir os mascotes com base em nossas próprias influências e no estilo de produção do nosso estúdio, onde todos gostam muito de games e de desenhos japoneses, coisas que influenciaram nossa geração", afirma Luciana. Paulo completa dizendo que existe uma espécie de 'memória afetiva' ligada aos temas, o que influencia diretamente no trabalho de produção da equipe. "As pessoas diziam, no sentido pejorativo, que nosso produto parecia com Pokemóns. E nós achamos demais!", brinca.

O processo, entre sugestões, ideias e redesenhos, rendeu mais de 400 opções diferentes de modelos. Há quem considere este trabalho desgastante, mas os criadores garantem que esta trajetória é a parte mais divertida do processo. "A melhor parte é a de 'brincar' com as ideias no papel, poderíamos fazer isso o dia inteiro. Nem sempre o melhor desenho contém a melhor ideia, mas nós conseguimos equilibrar bem as duas coisas", revela Paulo de Souza.

Após conseguir ter seu trabalho aprovado no maior evento esportivo do planeta, Luciana define o resultado como 'gratificante': "É muito legal. A melhor parte é saber que conseguimos atingir as pessoas do mundo inteiro com uma boa mensagem", comemora. Paulo diz que, a princípio, o grupo hesitou em fazer o trabalho por conta da grande concorrência, mas também valoriza o resultado: "Nem sempre temos as mesmas condições das grandes agências, mas decidimos fazer algo com a nossa 'cara', para que a equipe se sentisse confortável, sem a pressão de ser aprovado ou não. Nós nunca temos certeza das escolhas, é difícil saber se estamos no caminho certo, mas ficamos muito felizes com o resultado", completa.

Vinícius, o mascote Olímpico, homenageia Vinícius de Moraes em seu nome, que foi escolhido por votação na internet. Com traços de aves, felinos e primatas brasileiros, o personagem homenageia a fauna brasileira, enquanto Tom (homenagem a Tom Jobim), o mascote paralímpico, faz referência à flora do Brasil. Os dois mascotes já trabalham para promover os Jogos Olímpicos do Rio em 2016, a primeira Olimpíada em território Sul-Americano, que será aberta no dia 5 de agosto de 2016.

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