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Crise faz Paralimpíada do Rio ser 'enxugada' às vésperas

Falta de verba levará ao fechamento de várias instalações

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2016 | 06h22

A crise obriga os organizadores da Paralimpíada a enxugar o evento em setembro e refazer planos, inclusive com a possibilidade de abrir o parque olímpico para tentar atrair mais interesse. A falta de dinheiro levará ao fechamento de diversas instalações, demissões e a transferência de competições para outros lugares, com o objetivo de “maximizar os recursos”. O número de ingressos também será fortemente cortado, de 3,4 milhões para apenas 2 milhões.

O anúncio foi feito um dia depois que a Rio-2016 conseguiu um pacote de resgate com o governo federal e município de R$ 220 milhões. Pessoas que estiveram nas reuniões contaram que o presidente interino Michel Temer se envolveu diretamente em buscar uma solução, fazendo ligações para garantir a liberação de recursos. Mesmo assim, o compromisso é de que os serviços e instalações serão profundamente reduzidas.

Até agora, apenas 12% dos ingressos foram vendidos e, numa esperança de atrair pessoas aos locais dos eventos, os organizadores avaliam tornar gratuito a entrada ao parque na Barra da Tijuca. Ali, cada um pagaria para ir aos eventos específicos. Não por acaso, o Comitê Paralímpico Internacional (CPI) afirma que o evento no Rio de Janeiro em setembro será “a mais difícil jamais realizada” em mais de 50 anos da competição paralímpica.

A Rio-2016 chegou a sugerir em encontros que algumas das modalidades fossem excluídas da competição. Mas ficou decidido que o evento ocorrerá com as 22 modalidades originalmente pensadas. “Ainda temos uma forte pressão sobre o orçamento do Comitê”, disse Xavier Gonzalez, um dos organizadores do evento. “O maior desafio é rever o número de funcionários”, disse. “Teremos uma redução nos serviços de transporte e isso afetará a todos”, declarou. Centros de imprensa serão cortados, assim como dezenas de tendas colocadas pelo parque.

“Nunca em 56 anos de história enfrentamos isso”, garantiu Philip Green, presidente da CPI. “Estamos numa situação muito difícil”, disse. Questionado pelo Estado sobre onde teria indo o dinheiro, ele admitiu não saber. “Prefiro pensar agora em soluções. Ouvi muita coisa”, disse o dirigente, apontando que o cenário nas arquibancadas não será nem de Pequim em 2008 e nem de Londres em 2012. Na tentativa de reduzir custos, a esgrima será retirada de Deodoro, enquanto diversos serviços no complexo vão ser fechados. O parque também deixará de funcionar.

Um dos maiores cortes será no tamanho das arenas. Inicialmente, elas teriam capacidade para um total de 3,1 milhões de pessoas. Mas serão cortados para 2,4 milhões. Ainda assim, a meta é de que se venda 2 milhões de entradas. “Todos vão ser afetados”, disse. O número de pessoas trabalhando no evento será reduzido.

Com a eventual entrada de dinheiro público, a esperança dos organizadores é de que os pagamentos para as delegações estrangeiras comecem a ser feitos. No total, 165 países estarão no Rio. Mas 50 deles teria sérias dificuldades de bancar as viagens sem a ajuda do Brasil.

Segundo o presidente do Comitê Brasileiro Paralímpico, Andrew Parsons, se não houver dinheiro suficiente, haverá um esforço do governo brasileiro para convencer governos estrangeiros a ajudar.

Para ele, os gastos públicos com o evento se justificam. “Isso foi um compromisso de estado assinado há nove anos”, disse. “Não são gastos, são investimentos”, completou.

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