Crise política deixa interrogações na reta final para a Olimpíada

Na contagem regressiva para os Jogos, a crise política é mais aguda que a econômica. Para se ter uma ideia, os representantes oficiais dos governos saíram dos holofotes e o próprio Comitê Olímpico Internacional (COI) já não sabe quem deve convidar para as solenidades. Hoje, por exemplo, caberá a Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, receber a chama “sagrada” no lugar de Eduardo Paes, prefeito do Rio que estava inicialmente escalado para a tarefa.

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2016 | 06h58

Paes chegou a ir para a Grécia, para o acendimento da chama, mas voltou ao Brasil às pressas por causa do desabamento da ciclovia no Rio. Assim, também abriu mão de estar na cerimônia que marcará a passagem simbólica da chama para o Brasil, que terá a participação do presidente da Grécia, Prokopis Pavlopoulos.

Figuras emblemáticas que participaram da candidatura do Rio aos Jogos e tiveram presença marcante nos últimos anos já não estão mais em cena ou estão com problemas maiores para resolver: o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro do Esporte George Hilton... Não se sabe quem vai preencher o vazio que existe neste momento e isso aflige as entidades olímpicas internacionais.

Se meses atrás o Comitê Rio-2016 buscou soluções para não aumentar o custo e barrou anseios de confederações esportivas, como a construção das arquibancadas flutuantes para as competições de remo na Lagoa Rodrigo de Freitas, hoje a missão é tentar responder às perguntas sobre quem receberá a tocha olímpica no Brasil ou sobre quem precisa ser convidado para a cerimônia de abertura dos Jogos.

Do ponto de vista da organização, o panorama político do Brasil não afetou diretamente os Jogos até agora e no discurso oficial tudo está encaminhado. Mas ninguém gosta de organizar um evento deste porte em um momento de turbulência. A partir da próxima semana, quando a tocha chegar ao Brasil, começará a maratona do revezamento do símbolo olímpico por 327 cidades durante 95 dias. Em ano de eleições municipais, isso é um prato cheio para políticos.

 

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