Lara Monsores/CBJ
Lara Monsores/CBJ

Daniel Cargnin, do fundo da garagem para os tatames internacionais

Judoca tem uma trajetória de sucesso na base da modalidade e quer repetir a dose no Mundial de judô no Azerbaijão

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2018 | 05h10

O Brasil sempre formou grandes atletas no judô e parece que tem mais um pedindo passagem: o gaúcho Daniel Cargnin, da categoria até 66 kg, a mesma em que brilhou João Derly, bicampeão mundial. “Ele é meu ídolo no esporte, e isso me ajudou bastante a sonhar e ter vontade de fazer as coisas”, comenta o rapaz, que está com 20 anos e embarca para a disputa de seu primeiro Mundial adulto.

A competição será realizada em Baku, no Azerbaijão, entre 20 e 27 de setembro. Na bagagem, Cargnin leva uma medalha de bronze no Mundial júnior em 2015 e um ouro dois anos depois, na mesma categoria. Agora, ele fará sua estreia em um Mundial sênior e espera corresponder à altura.

“Minha expectativa está boa. Estou almejando a Olimpíada de 2020, então é uma boa competição para eu já conseguir um resultado expressivo. Eu saí do júnior neste ano, mas já consegui medalhas no Grand Prix, em competições seniores, no Pan-Americano, então estou evoluindo e fazendo uma preparação boa para este Mundial”, diz.

“No meu primeiro ano de júnior fui terceiro no Mundial, depois fui campeão. Fui crescendo com isso, ganhando experiência e vendo que eu podia chegar. Quando está difícil no treinamento, sei que é uma coisa que vai passar. Isso fortalece meu espírito. Ganhei o Mundial júnior e estou no caminho certo para tentar vencer no adulto também”, continua.

Ele começou na modalidade por acaso. Um amigo de sua escola praticava a modalidade no fundo de uma garagem. Certa vez Cargnin foi junto. “Era super amador, mas gostei e continuei indo. Minha mãe me levava e via que era bacana”, relembra. Então ele mudou para uma academia pequena, passou a disputar competições locais e chamou atenção da Sogipa. Justamente o clube do João Derly, seu ídolo.

No Mundial, Cargnin terá a companhia de outro brasileiro, Charles Chibana, que representou o Brasil nos Jogos do Rio na categoria até 66 kg. Os dois serão os representantes nacionais no evento em Baku, mas na Olimpíada só existe uma vaga para cada país. “É concorrido, será brigado até o final, mas tenho de me concentrar bastante em conseguir resultados expressivos internacionalmente”, explica Cargnin.

No peito, o judoca tem uma inscrição tatuada em japonês que significa “família”. Esta é a base para o crescimento do atleta, que sonha com voos altos. O apoio em casa é enorme. “Minha mãe ama judô. Ela me auxiliava bastante e sempre gostou muito. Ela acorda para assistir às lutas quando por causa dos fusos a transmissão é de madrugada, meu pai sempre pergunta como estou. Eles gostam bastante”, diz.

Para ele, não há problema em abrir mão de coisas que os jovens que não são atletas profissionais costumam fazer nesta idade. “Eu tento pensar pela responsabilidade que isso me trouxe. Enquanto estava todo mundo saindo eu estava me concentrando para a competição. Acho que o judô me trouxe tudo que tenho hoje, então não me tirou nada, me agregou. Os amigos são do judô, e isso é uma coisa bem bacana que o esporte me trouxe.”

No Mundial, ele promete colocar em prática o estilo que o levou a conquistas nos eventos da base. “Gosto de ser bem agressivo na luta, gosto de dar golpe ajoelhado e me movimentar bastante. Essas são minhas características”, avisa.

 

 

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