Eugene Hoshiko / AP
Eugene Hoshiko / AP

Com Daniel Dias representando o Brasil, Tóquio faz cerimônia de encerramento tocante da Paralimpíada

Com o tema 'cacofonia harmoniosa', festa tem teve brasileiro assumindo cargo no conselho de atletas do Comitê Paralímpico Internacional

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2021 | 10h23

A Paralimpíada de Tóquio chegou ao fim neste domingo, dia 5, com uma cerimônia de encerramento bela e tocante. Representando o Brasil, Daniel Dias atuou como porta-bandeira e também foi 'empossado' como membro do Conselho de Atletas do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), cargo que ocupará até a Paralimpíada de Paris, em 2024.

A festa teve como tema a 'cacofonia harmoniosa', ou seja, um caos organizado, demonstrado nas diversas apresentações de música e dança. O evento também levou a temática da 'cidade em construção', que contou com os porta-bandeiras das delegações para completar uma réplica da Sky Tree Tower, prédio mais alto de Tóquio, que integrou uma cidade de maquetes. A capital japonesa foi bastante representada nos vídeos. Próxima sede paralímpica, Paris apresentou dois vídeos e transmitiu ao vivo os cidadãos franceses em festa.

A cerimônia começou com um vídeo que mostrou as mais diversas modalidades disputadas e diferentes estilos de música sendo tocados no Japão, e emendou com os músicos, com diferentes deficiências, em uma apresentação ao vivo no Estádio Nacional, enquanto um show de luzes emulava o cruzamento de Shibuya, um dos mais movimentados de Tóquio e do mundo.

A apresentação prosseguiu com dançarinos, primeiro com breakdance, patins e bicicletas BMX, depois representações dos games de luta e, por fim, com as luzes e as pessoas mostrando como o espírito paralímpico se espalha através do mundo. Terminou com a frase 'obrigado a todos os paralímpicos'.

Na sequência, ocorreu a parte mais protocolar da cerimônia, com o hasteamento da bandeira do Japão e o hino do país cantado por um coral inantil. Assim como na abertura, foi exibido o vídeo da campanha #WeThe15 (Nós, os 15), produzido pelo Comitê Paralímpico Internacional e que pede que as pessoas com deficiência sejam tratados como pessoas normais, apenas com algumas características extras. O nome da campanha faz referência aos 15% da população mundial que tem algum tipo de deficiência.

Veio o desfile dos atletas, liderado pela a bandeira do Afeganistão, dessa vez com gente presente - os dois atletas do país classificados para a Paralimpíada conseguiram deixar Cabul e chegar a Tóquio a tempo de competir. Cada porta-bandeira pegava um pequeno espelho, que colava numa réplica em miniatura do Sky Tree Tower.

O Brasil foi representado por Daniel Dias. Em sua última participação nos Jogos, o nadador conquistou três bronzes e chegou a 27 medalhas paralímpicas (14 de ouro, sete de prata e seis de bronze). Dias é o maior medalhista brasileiro em Paralimpíadas e o quarto entre todos.

Com a réplica do Sky Tree completa, os dançarinos voltaram à cena para "terminar a construção" da cidade com réplicas de outros prédios. As mascotes Miraitowa e Someity finalmente apareceram, também para ajudar nesta última parte da apresentação. Com um pequeno contratempo, a réplica da Sky Tree demorou a ser colocada na vertical, pois caiu duas vezes.

Uma nova premiação foi entregue, o prêmio 'I'm possible', para atletas e escolas que contribuem no movimento paralímpico no Japão e em outros países. Na sequência, Daniel Dias e outros três atletas foram apresentados como novos membros do Conselho de Atletas do IPC - outros dois também foram integrados ao órgão, mas não estavam presentes. Os quatro entregaram um buquê de flores e mascotes de pelúcia a quatro voluntários que trabalharam nos Jogos.

Após isso, uma nova parte da apresentação demonstrou a vida e a natureza, começando 'na água' e se diversificando entre plantas e animais. Músicos com deficiência voltaram a aparecer, e o destaque principal ficou para um grupo de percusionistas na música e pessoas com pernas de pau na dança. Pouco depois, dançarinos com roupas que remetiam à cultura pop japonesa surgiram para outro show, que destacava diversos integrantes com deficiência.

Pouco depois, a bandeira dos Jogos foi desasteada e entregue a Anne Hidalgo, prefeita de Paris, enquanto o tema paralímpico era executado. Próxima sede dos Jogos, a capital francesa começou sua parte da apresentação com um vídeo de uma dançarina representando o hino do país em linguagem de sinais.

Mais um vídeo foi apresentado pelos organizadores da Paralimpíada de Paris na sequência, 128 pessoas cadeirantes realizavam movimentos geométricos, comandadas por um coreógrafo. A transmissão mostrou cidadãos franceses que comemoravam em Paris com os medalhistas do país em Tóquio, viam uma apresentação acrobática, e celebravam a criação francesa de um sistema que permitia escrever em celulares apenas com o movimento dos olhos, o que permite a comunicação a quem não consegue se mexer. A Torre Eiffel foi representada com uma prótese em uma das 'pernas' e com a bandeira da próxima edição 'hasteada'.

Após os discursos das autoridades, a última apresentação foi um vídeo de um cantor japonês cadeirante com a música 'What a Wonderful World', enquanto mais cenas dos Jogos eram transmitidas. De volta ao palco, a música foi cantada por uma artista cega e pelo coral de crianças, além de transmitida em linguagem de sinais. Imagens de pessoas de vários locais do mundo cantando apareceram no solo do Estádio Nacional. Por fim, a pira paralímpica foi apagada, mais uma queima de fogos ocorreu e as palavras 'vejo vocês em Paris 2024" surgiram no chão do estádio.

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