Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

De norte a sul, festa trará ritmos e ícones brasileiros

Cerimônia sairá da temática carioca para fazer um passeio pelo Brasil

Roberta Pennafort e Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2016 | 05h00

Sucesso em todo o mundo, a cerimônia de abertura da Olimpíada recorreu a ícones do Rio: a praia, a favela, a Bossa Nova, o funk, o pagode, o passinho, a garota de Ipanema, o compositor Tom Jobim, o sambista Paulinho da Viola. Para a despedida dos jogos, a opção dos criadores foi por uma festa mais brasileira do que carioca. Hinos nordestinos, como Asa Branca e Mulher Rendeira, fazem parte da trilha sonora.

“A vibração agora é distinta. Vamos ao Brasil profundo, ao fazer artesanal, às rendeiras, à cerâmica. Nosso País é muito rico, uma cerimônia só não daria conta. Vai ser um passeio da raiz até o contemporâneo”, explicou a produtora artística Alicia Ferreira. “O legado passado de geração em geração será simbolizado por Martinho da Vila, que vai cantar com a família (três de seus oito filhos, as cantoras Maíra, Juliana e Analimar, além da neta Dandara).”

Entre os artistas convidados estão também o compositor pernambucano Lenine, que vai cantar a sua Jack Soul Brasileiro, que exalta a multiplicidade cultural brasileira, a cantora potiguar/carioca Roberta Sá, vestida como Carmen Miranda, e o grupo baiano As Ganhadeiras de Itapuã.

O conjunto paulistano de percussão corporal Barbatuques estará no primeiro segmento, que remete ao momento da criação. “Vamos fazer um medley de músicas próprias. Trabalhamos com a origem e o limite do som, que nasce da forma mais simples, do corpo, assim como os atletas testaram os limites do corpo na Olimpíada”, compararam os compositores Renato Epstein e André Hosoi, integrantes do grupo.

A parte protocolar da cerimônia será iniciada com a entrada do chefe de Estado do Brasil – vaiado na abertura, o presidente em exercício, Michel Temer, deve ser substituído pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A parada dos atletas será bem mais ágil do que o desfile da abertura, pois os esportistas entram juntos, separados apenas por bandeiras.

ADEUS, PIRA

Dois momentos são de grande expectativa: a apresentação de oito minutos de um grupo de 100 pessoas que vieram do Japão, que tem como objetivo anunciar os próximos Jogos, em Tóquio, em 2020, e a extinção da chama olímpica, a ser reacendida em solo japonês. Simultaneamente, a pira instalada para apreciação do público na Candelária, no Centro do Rio, será apagada. O aviador Santos Dumont, que emocionou os espectadores ao “sobrevoar” o estádio e a cidade na abertura, voltará à cena.

“A cerimônia marca o fim do fogo olímpico, portanto, tem um toque melancólico. Mas vamos mostrar uma festa alegre, que marque um recomeço”, contou a carnavalesca Rosa Magalhães, responsável pela cerimônia de encerramento. “Esse momento do apagamento da chama é triste, mas ideal para mostrar o que o brasileiro tem de melhor: vivemos de sorriso”, disse Abel Gomes, diretor executivo de criação da cerimônia e sócio da SRCOM, empresa que realiza o réveillon de Copacabana.

O CEO da holding italiana FilmMaster Group, parceira da SRCOM na Olimpíada, Andrea Varnier, que trouxe a experiência da cerimônia de encerramento dos Jogos de Inverno de Turim, em 2006, lembrou que a festa tem um caráter mais relaxado, de celebração dos feitos dos atletas. “Eles participam mais. Não há mais pressão”.

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