Wilton Junior / Estadão
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De olho nos Jogos Olímpicos de Paris, Teddy Riner treina no Rio e sonha encontrar Ronaldinho Gaúcho

Bicampeão olímpico, judoca francês está no Brasil, local do seu primeiro título mundial, para se aprimorar após o bronze em Tóquio-2020; também veio ver como está um apartamento que comprou no Rio

Entrevista com

Teddy Riner, judoca francês

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2022 | 10h00

Teddy Riner, o gigante francês do judô, está no Rio para treinar visando aos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, em sua casa. Ele chegou na quinta-feira e já foi para o tatame do Centro de Treinamento do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Fez uma série de atividades com os atletas pesados da seleção nacional. Também aproveitou para visitar um apartamento que comprou em Copacabana no ano passado, para saber como o imóvel está.

O período de treinos no Brasil desse atleta de 2,04m e 140kg também o ajuda a se sentir confortável para o ciclo olímpico. Foi no Rio que ele foi campeão mundial pela primeira vez, em 2007 (e já tem dez ouros no total), e lá que conquistou o bicampeonato olímpico em sua categoria de peso.

Agora, Teddy está no País para se aprimorar e deixou para trás duas derrotas importantes que sofreu, para o japonês Kokoro Kageura, quando perdeu uma invencibilidade de quase dez anos nos tatames, e para o russo Tamerlan Bashaev, que tirou sua chance do tricampeonato olímpico - ele foi bronze em Tóquio 2020 entre os pesados e ganhou o ouro por equipes mistas.

Animado, Riner conversou com o Estadão e contou um pouco sobre seus próximos passos - e ippons. Além de aproveitar a estrutura do COB no Parque Olímpico, o francês espera ter a chance de encontrar seu grande ídolo. "Meu jogador preferido é o Ronaldinho Gaúcho e deixo um recado para ele: se estiver por aqui, eu terei um enorme prazer em vê-lo só para dizer olá!"

Como você está fisicamente para esse novo e talvez último ciclo olímpico?

Eu me sinto bem. Se não me sentisse bem eu não decidiria continuar, e iria parar, porque chega um momento em que temos vontade de aproveitar a vida. Mas, eu ainda tenho o desejo de estar nos Jogos Olímpicos em Paris.

Você terá na Olimpíada de Paris o maior desafio de sua carreira, mas em um momento que já não é tido como imbatível pelos adversários. Como você lida com isso?

Com certeza nos Jogos Olímpicos de Paris haverá muita pressão. Atualmente, minha carreira, ao menos, está feita. O que eu quero é vivenciar mais uma vez os Jogos Olímpicos, mas dessa vez em casa, em frente à minha família, meus amigos, meus parceiros e dar o melhor de mim. Hoje, dizer que vou ser campeão olímpico em Paris é um pouco prematuro. Porém, quando eu subo no tatame é realmente para ganhar. Então, eu me dou esse momento para me preparar e chegar com todas as cartas na mão para poder vencer nos Jogos Olímpicos de Paris.

O que você aprendeu com as duas derrotas, para Kageura e Bashaev?

São companheiros que eu tive duas derrotas. Eu queria que fosse de outro jeito. Agora, são derrotas que permitem evoluir. Então, não posso focar em derrotas como essas, só aprender para que na próxima vez isso não aconteça.

 

Você mudou algo em seu treinamento para a próxima Olimpíada?

Com certeza. Cada vez que eu venho treinar é para evoluir, para progredir, para aprender coisas novas. É por isso que estou no Brasil, para mudar um pouquinho meu modo de funcionamento. Então, sim, eu mudo a cada ano, a cada vez com objetivo de melhorar meu judô para ser sempre melhor.

Você já disse isso, mas por que vir treinar no Brasil?

Simplesmente porque, de verdade, eu me sinto em casa aqui. Como em Guadalupe. É um país que soube muito bem acolher, as pessoas estão sempre com sorriso no rosto e como atleta eu conquistei minhas mais belas medalhas aqui. É sempre um grande orgulho estar aqui e vir pisar no solo brasileiro.

Como estamos no 'País do Futebol', temos de falar disso também (risos). Como você viu a eliminação do PSG na Liga dos Campeões?

Foi uma pena. Meu clube é o PSG, eu sou do PSG Judô e quando representamos uma equipe nós torcemos por ela. A cada vez que chegamos tão perto do objetivo, nós temos uma equipe que pode ir longe e sempre tem algo que falta, é chato, é frustrante, mas é hora de retomar o trabalho e pensar na próxima temporada.

Acha que um time com Neymar, Messi e Mbappé pode ainda conquistar esse troféu?

Claro. No papel eles sabem que são uma equipe que pode ganhar a Liga dos Campeões. Agora, para passar por jogos como esse é preciso ser bom em todos os níveis, no âmbito mental, físico, no aspecto coletivo, individual, e faltam pequenas coisas, então é preciso ainda trabalhar.

A França é a atual campeã olímpica por equipes no judô. É possível conquistar o bi em Paris-2024?

É possível sim, tudo é possível. Se temos uma boa equipe, vontade, aquele estado de espírito, sim podemos.

E no futebol, a França pode ser campeã na Copa do Mundo no Catar?

Tudo é possível. No papel, nós temos muito talento individual. Mas, como disse, é preciso que essa individualidade seja um grupo, que todo mundo jogue junto e foi por isso que a seleção francesa de Didier Deschamps em 2018 ganhou e se ganharmos em 2022 no Catar será porque o grupo estará unido.

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