Gaspar Nóbrega|Inovafoto|Bradesco
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De Paraisópolis para a Olimpíada do Rio, o sonho de Bia Santos

Aos 18 anos, atleta é uma das promessas da seleção de rúgbi

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2016 | 07h00

Bianca Santos é tida como um fenômeno no rúgbi sevens e candidata a craque no futuro. A garota que acabou de completar 18 anos, mora em Paraisópolis, na cidade de São Paulo, e começa a se firmar na seleção e já sonha com uma possível participação nos Jogos Olímpicos. “É sempre possível, vou acreditar e lutar. Claro que, se não vier, vou continuar lutando.”

Ela começou por convite de amigos, quando tinha apenas 11 anos. No campo do Palmerinha, Bia, como é conhecida, pegou pela primeira vez na bola oval, no projeto social do Instituto Rugby para Todos. “Gostei, comecei a me adaptar e foi se tornando mais fácil. Pensei: ‘Essa é a minha praia’. Aí passei a evoluir.”

Assim como Edninha, outro talento da seleção, Bia jogava com meninos porque não tinha meninas em quantidade para participar. Ela se destacou e foi para categorias de base da seleção. Sua família nem sabia direito como era a modalidade. “Eles acharam um pouco estranho porque nunca tinham ouvido falar de rúgbi, então em um primeiro momento foi difícil.”

Quem logo viu o potencial da menina foi Chris Neill, técnico neozelandês da seleção feminina. Percebeu que Bia poderia crescer muito e foi conversar com seus pais, pois queria a atleta integrando a equipe centralizada pela Confederação Brasileira de Rugby.

No início os familiares acharam ruim, tinham receio, mas depois viram que aquilo poderia ser algo positivo para todos em casa. Bia então passou a ser atleta centralizada na seleção e recebe salário e benefícios, como auxílio de moradia, vale alimentação e seguro saúde, entre outras coisas. “Eles foram vendo as partidas, perceberam minha evolução e foram apoiando cada vez mais. Aí falaram para eu continuar.”

A garota de família humilde sabe que já tem no técnico principal da seleção um grande fã. Neill costuma dizer que ela é um talento enorme que o Brasil tem. Apenas lamenta que os Jogos Olímpicos estejam muito próximos. Para o treinador, se fosse em dois anos, ela seria a melhor jogadora disparada da equipe. “É a principal estrela jovem que o Brasil tem”, avisa.

Como não poderia deixar de ser, Bia sonha todos os dias como os Jogos do Rio. “Quero jogar a Olimpíada, vou me empenhar, e não sei como será depois. As pessoas em Paraisópolis sempre me perguntam se vou jogar a Olimpíada. Eu falo apenas que a lista não saiu e que estou na preparação ainda.”

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