Takashi Aoyama/Reuters
Takashi Aoyama/Reuters

De plágio a declaração sexista, relembre as principais polêmicas dos Jogos de Tóquio

Jogos tiveram de escolher projeto diferente para estádio olímpico e Japão trocou autoridades do comitê local com frequência

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2021 | 10h00

Desde a intensa emoção do dia em que a capital japonesa foi escolhida como sede da Olimpíada de 2020, o caminho para os Jogos de Tóquio está sendo marcado por muitas polêmicas. A última foi a declaração sexista e a renúncia à presidência do comitê organizador de Yoshiro Mori.

Tóquio ficou encarregada de sediar os Jogos Olímpicos de 2020 no dia 8 de setembro de 2013. O país comemorou e os apresentadores de televisão começaram a chorar de emoção. Muitos temiam que o acidente nuclear de Fukushima, resultado do gigantesco terremoto e tsunami de 2011, arruinasse o projeto olímpico. O governo, então, passou a chamar a Olimpíada de "Jogos da Reconstrução".

Com a pandemia do novo coronavírus, os Jogos de Tóquio foram adiados no ano passado. As novas datas: de 23 de julho a 8 de agosto de 2021 para a Olimpíada e de 24 de agosto a 5 de setembro para a Paralimpíada. O Estadão relembra as principais polêmicas envolvendo a organização da Olimpíada:

 

Julho de 2015

O então o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe ordena uma revisão completa do projeto do novo estádio olímpico, após críticas por seu alto custo de US$ 2,42 bilhões (mais de R$ 12 bilhões, no câmbio atual). Os planos da arquiteta britânico-iraquiana Zaha Hadid foram cancelados e a obra ficou com o projeto do japonês Kengo Kuma.

Setembro de 2015

O Comitê Organizador teve de abrir mão do primeiro logotipo dos Jogos, pois se parecia muito com um teatro em Liège (na Bélgica), cujo criador havia recorrido à Justiça sob acusação de plágio. O novo desenho, assinado pelo artista japonês Asao Tokolo, é composto por três variedades de retângulos, que representam os países participantes dos Jogos.

Março de 2019

O presidente do Comitê Olímpico Japonês, Tsunekazu Takeda, de 71 anos, anunciou sua renúncia, oficialmente devido à sua idade. Mas ele estava sob pressão desde a revelação, em janeiro daquele ano, do indiciamento na França por suspeita de subornar membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2013 em apoio à candidatura de Tóquio. No mês seguinte, veio outra demissão, a do ministro responsável pela Olimpíada, Yoshitaka Sakurada, que havia cometido vários erros em seus seis meses de mandato.

Março de 2020

Em meio à expansão da pandemia de coronavírus, o COI anunciou o adiamento dos Jogos Olímpicos para 2021. Um adiamento histórico, já que desde a criação do evento, em 1896, os Jogos nunca foram adiados. Durante as Guerras Mundiais, a Olimpíada havia sido suspensa.

Dezembro de 2020

O custo exorbitante do adiamento e das medidas anti-covid fazem as contas de Tóquio-2020 disparar cerca de US$ 2,8 milhões de dólares (R$ 15 bilhões adicionais). Em dezembro, é apresentado o novo orçamento total de US$ 15,8 bilhões (R$ 85,5 bilhões), um recorde dos Jogos Olímpicos.

Janeiro de 2021

Diante do número recorde de infecções pelo novo coronavírus no Japão, o governo do país decretou estado de emergência em onze departamentos do país, incluindo Tóquio e sua grande periferia, meio ano antes dos Jogos Olímpicos. O governo e os organizadores insistem em que o evento prossiga. Mas, pesquisas mostram que 80% dos japoneses querem que o evento seja adiado novamente ou cancelado. Thomas Bach, presidente do COI, insiste que os Jogos serão disputados nas datas programadas e que “não há um plano B”.

Fevereiro 2021

Yoshiro Mori, presidente do comitê organizador, causou alvoroço no Japão e no exterior, afirmando que as mulheres têm dificuldades para falar de forma concisa nas reuniões, o que ele acha irritante. Após desculpas constrangedoras, o ex-primeiro-ministro de 83 anos renunciou. / COM AFP

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