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Delegado vê indícios de fraudes em contratos de outras três confederações

Confederações de taekwondo e tiro esportivo já estão na mira de operação

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2016 | 08h00

O delegado Tácio Muzzi, da Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros (Delecorp), afirmou que há indícios que mais três confederações, além da de tae kwon do e tiro esportivo, tenham firmado contratos fraudulentos com a SB Marketing e Promoções. O delegado, porém, não quis citar as confederações. "É possível que esse esquema esbarre em outras confederações. Elas serão alvo de uma segunda fase desta operação, que será um desdobramento desta", afirmou.

A Polícia Federal descobriu o suposto esquema de fraudes nas licitações quando detectou documentos falsos de empresas que participaram das concorrências. Segundo Muzzi, convocados pela polícia para depor, os sócios destas empresas negaram ter participado das concorrências com as empresas fraudulentas, como a SB. A empresa foi contratada pela Confederação de Tae kwon do para fornecer serviços de assessoria administrativa.

"Os sócios das outras empresas chegaram e negaram que tenham participado do certame com a SB. Ao forjar a concorrência, com o uso de documentos falsos, a SB jogava o preço para cima. Também há indícios de fraudes da empresa durante a execução do contrato, com a apresentação de notas frias por serviços que nunca foram realizados", afirmou Muzzi.

O contrato com a SB para a preparação de atletas para a Olimpíada do Rio tinha entre seus objetivos modernizar a infraestrutura e materiais esportivos da confederação, elevar o nível técnico dos atletas juniores e oferecer equipamentos adequados visando à excelência de resultados em competições internacionais. Também tinha como meta padronizar a realização dos eventos nacionais, adequando-os às normas internacionais de competição e fornecer materiais e equipamentos necessários a essa padronização.

O lutador de tae kwon do Diogo Silva, campeão pan-americano em 2007, comemorou o afastamento do presidente da confederação, Carlos Fernandes. Segundo Silva, o presidente cometeu crimes contra o patrimônio público. "A nossa torcida para o afastamento dele era grande. Ele prejudicou muitos atletas. Como gastava todos os recursos e fechava sempre a conta no vermelho, os patrocinadores deixavam de investir no tae kwon do. As prestações de conta também nunca batiam", afirmou o lutador.

Silva também afirmou que perdeu a bolsa do Projeto Brasil Olímpico por causa de Fernandes. "Ele deixou de me indicar e outros atletas. Nós tínhamos todos os requisitos para isso. Também não deu bolsas a que tínhamos direito por participar de outras Olimpíadas para iniciar outros ciclos", acusou. O jornal O Estado de S.Paulo não conseguiu contato com Fernandes ou com sua defesa.

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