Mark Schiefelbein/EFE
Mark Schiefelbein/EFE

Depois da Copa no deserto, a Olimpíada de Inverno sem neve

Pequim aparece como favorita no processo de seleção do COI

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

30 Março 2015 | 09h06

Depois da Copa no deserto em 2022 no Catar, o mundo dos esportes vive mais um desafio: organizar os Jogos Olímpicos de Inverno em um local praticamente sem neve. Para o evento de 2022, Pequim é o grande favorita no processo de seleção do COI. Mas as Olimpíadas correm o risco de serem as primeiras com neve artificial.

Os locais escolhidos para algumas das provas pelos organizadores chineses - Chongli e Yanqing, - contam a cada ano apenas com uma camada fina de neve. Para as competições de esqui, outra opção escolhida é Zhangjiakou, com no máximo um metro de neve por ano.

Na semana passada, enviados do COI à região ouviram dos chineses garantias de que o local é " suficientemente frio " para sediar o evento. Mas a possibilidade de um evento com neve artificial se contrasta com a promessa de Pequim de que teriam um evento " sustentável em termos ambientais ".

Para produzir a neve artificial, porém, ativistas alertam que o governo chinês terá de fazer um amplo investimento e gastos em fornecimento de água, um problema crônico na China.  Em dez anos, os chineses tiveram de construir 2,4 mil quilômetros em dutos para garantir acesso à água para suas cidades, com custos de US$ 80 bilhões.

Mas não é apenas o impacto ambiental que preocupa. Em uma recente entrevista, Alain Lunzenfichter, ex-presidente da Associação de Jornalistas Olímpicos e que acompanhou a visita do COI, lembrou que a neve nos Jogos de Inverno não serve apenas para os esquiadores. "Ela faz parte da atmosfera do evento", comentou.

O COI vive um dilema com a escolha dos Jogos de 2022. Cinco países democráticos abandonaram a corrida, alegando que não estariam dispostos a pagar pelo evento. Em algumas das cidades que chegaram a concorrer - como Oslo - foi a população que rejeitou a candidatura em uma votação.

Agora, o COI ficou com apenas duas opções : o regime comunista chinês com Pequim ou o governo autoritário do Cazaquistão com a opção de Almaty.

Pequim tenta convencer os organizadores do COI de que não vão repetir o escândalo de Sochi, quando os russos gastaram US$ 40 bilhões para o evento de 2014. Pequim promete limitar seu evento a cerca de US$ 4 bilhões. Mas sem garantias de transparência, poucos garantem que esse orçamento seja respeitado.

Enquanto isso, a China faz questão de fazer o máximo de publicidade do evento e tentar atrair milhões de jovens para suas pistas de neve, mesmo que artificiais. 

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