Ricardo Bufolin|CBG
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Depois da prata, Rebeca Andrade quer mais um pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Segundo lugar no individual geral, ginasta brasileira vai atrás agora da medalha na prova de salto

Paulo Favero, enviado especial/TÓQUIO , O Estado de S.Paulo

Atualizado

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A ginasta Rebeca Andrade, vice-campeã olímpica nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 no individual geral, vai atrás de outra medalha neste domingo, às 5h45 (horário de Brasília). Ela compete na prova de salto e, se depender do desempenho que já teve nesta edição da olimpíada neste aparelho, tem tudo para levar mais uma medalha.

Na fase de qualificação Rebeca fez 15.100 no salto, ficando atrás apenas de duas atletas dos Estados Unidos: Simone Biles (15.183) e Jade Carey (15.166). Foi aí que ela se classificou com a terceira melhor pontuação. Já na final do individual geral, ela conseguiu a maior nota no salto, com 15.300, superando Jade Carey que anotou 15.200.

Para a final, é possível que Biles não participe, e aí ela daria lugar para Mykayla Skinner. Já Sunisa Lee, que foi campeã olímpica no individual geral, não está na disputa. Até por isso, a expectativa de novo pódio para Rebeca é grande, pois a diferença dela para as outras competidoras, com exceção das atletas dos EUA, é bem grande.

“Eu preciso aproveitar este momento e não deixar essa chance passar”, afirmou Rebeca, que ainda vai disputar a final do solo, marcada para segunda-feira, às 5h45 (horário de Brasília). Este é outro aparelho que ela tem chance de subir ao pódio e com isso igualaria Isaquias Queiroz, da canoagem velocidade, que nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 ganhou três medalhas para o Brasil.

Segundo Francisco Porath Neto, o Chico, treinador de Rebeca e técnico da seleção feminina desde 2014, eles ainda vão avaliar o que a atleta vai fazer na prova de salto. “Eu até perguntei para ela se agora estava com mais vontade ainda de outra medalha. Queremos buscar mais um pódio e vamos pensar a melhor estratégia”, disse Chico.

Uma opção seria aumentar a nota de dificuldade do salto, mas poderia correr o risco de falhar um pouco na execução, ou se tenta algo um pouco mais simples para fazer a execução com mais segurança. De qualquer forma, qualquer que seja a escolha, Rebeca tem condições de fazer um ótimo papel.

Para o treinador, o pódio conquistado nos Jogos de Tóquio vai ajudar a ginasta nas próximas disputas. “Primeiro precisávamos fechar o individual geral. Eu queria muito essa medalha para que tirasse um pouco do peso nas costas dela. A Rebeca tem um salto excelente e agora temos mais tranquilidade para se preparar para esta disputa”, avisou.

O bom momento da ginasta coroa uma história de superação que começou na recuperação da terceira cirurgia que teve no joelho direito para reparar o ligamento cruzado anterior, uma das lesões mais sérias que ocorrem em atletas de alto nível. Foi por causa de lesões que ela perdeu eventos importantes, como Mundiais e os Jogos Pan-Americanos de Lima-2019.

“Eu tenho cinco cirurgias em um joelho, pois fazia fibrose e eu tinha de tirar, pois não conseguia dobrar a perna totalmente. E isso que sou jovem. Então tive muitas oportunidades de desistir, mas eu não desisti e estou aqui com a minha medalha de prata”, comentou a atleta de 22 anos.

Rebeca conta que aproveitou a pandemia de covid-19 para se conhecer melhor e também para recuperar seu corpo da última lesão, que a tirou do Mundial de Ginástica Artística e ainda do Pan de Lima-2019. “A pandemia foi incrível para mim, tanto para minha operação quanto para o meu psicológico. Eu pude me cuidar, me conhecer melhor, saber o que era bom, o que era ruim. Eu me conectei comigo mesma, e hoje a gente vê o resultado disso.”

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