Reuters/Damir Sagolj
Reuters/Damir Sagolj

Depois de conquistar 4º lugar na marcha, brasileiro protesta contra o preconceito

'Não teve nenhum dia que eu tenha saído na rua que não fui xingado', disse Caio Bomfim

Gonçalo Junior, enviado especial ao Rio, Estadão Conteúdo

12 de agosto de 2016 | 18h38

A quarta colocação de Caio Bonfim nos 20km da marcha atlética masculina, conquistada nesta sexta-feira no primeiro dia de disputas do atletismo nos Jogos Olímpicos do Rio, foi um momento de desabafo contra o preconceito e a discriminação.

"Não teve nenhum dia que eu tenha saído na rua que não fui xingado. O pessoal diz: vira homem, para de rebolar, viado, fora, vai pra casa, vai trabalhar, vagabundo. Todo dia!", afirmou o atleta de 25 anos, emocionado após o resultado na tarde desta sexta-feira no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. "São nove anos na marcha e não teve um dia que não tenham xingado".

Os xingamentos se referem ao movimento exigido pela marcha atlética. O participante precisa se movimentar o mais rápido possível, mas pelo menos um de seus pés precisa tocar o solo. Para cumprir a regra, o atleta parece estar rebolando. Daí, os protestos homofóbicos. "Quando eu chego em casa minha família me dá apoio e eu continuo pela minha família."

Caio fez uma corrida de recuperação depois de estar na 22ª posição, 13 segundos atrás do líder. Ele se consolidou na quarta posição a partir do quilômetro 16. Nas últimas voltas, chegou a sonhar com o pódio. "Tudo depende das últimas voltas. Eu dei tudo o que podia e fiz a melhor volta da minha vida", diz o atleta, que foi sexto colocado no último Mundial.

O brasileiro completou a prova em 1min19s42, apenas cinco segundos atrás do australiano Dane Bird-Smith, que conquistou a medalha de bronze. "Fiz a melhor volta da minha vida. Ser o quarto lugar num esporte que não é o mais popular é fantástico", afirmou.

 

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