Leonhard Foeger| Reuters
Leonhard Foeger| Reuters

Depois de falhas, Wada irá monitorar controle de doping no Brasil

Entidade questionou a redução no número de testes em atletas brasileiros antes dos Jogos Olímpicos

Jamil Chade, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2016 | 20h00

A Agência Mundial Antidoping (Wada) indica que o programa do Brasil de combate ao doping passará a ser monitorado diante das falhas apresentadas. Há dois dias, a reportagem do Estado revelou que a entidade havia criticado o Brasil por conta da redução no número de testes de controle de doping realizados em atletas nacionais, antes dos Jogos Olímpicos

Depois de realizar em média 370 testes por mês em atletas, o número caiu para apenas 110 em julho, às vésperas dos Jogos. Uma carta foi enviada pela WADA ao Ministério do Esporte no final de julho para se queixar. Agora, a entidade alerta terá de passar a controlar de forma intensa o laboratório do Rio de Janeiro e a política nacional de combate ao doping. 

"Isso é uma prática inaceitável  da parte da Agência Nacional Antidoping, em especial em um momento tão crucial antes dos Jogos Olímpicos", indicou a Wada, em um comunicado. "Não podemos dar números exatos sobre o que deve ser feito, mas esses números (de 110 testes) não estão em linha com um programa eficiente", alertou.

"Um programa de testes coordenados deveria ter sido estabelecido no caminho final para os Jogos Olímpicos, em especial focando no que a agência classifica como esportes de "alto risco", alertou a Wada.

Segundo a agência, o assunto foi transferido para a força-tarefa estabelecida antes das Olimpíadas e "também para nosso comitê de avaliação do cumprimento das leis antidoping".  

"O programa brasileiro antidoping estará sob um escrutínio ainda mais intenso e monitoramento a partir de agora", alertou a Wada. 

O governo explica que o motivo da queda do número de testes foi a decisão da Agência Mundial Antidoping de suspender de forma "abrupta" o credenciamento do laboratório do Rio de Janeiro, sem prever uma alternativa. No período que o laboratório foi mantido suspenso, as coletas de sangue e urina foram afetadas.

O Ministério do Esporte explicou que tentou enviar as amostras para Lisboa, Bogotá ou Barcelona. Mas sem sucesso. 

Dados obtidos pelo Estado apontam que, entre janeiro e junho de 2016, um total de 2.227 testes foram realizados em atletas brasileiros, uma média de 371 por mês. Mas entre os dia 1 e 24 de julho, foram apenas 110 testes. 

Segundo a Wada, deste total, apenas 93 deles envolveram atletas que poderiam estar nos Jogos Olímpicos. Para ela, a coleta deveria ter sido mantida e as amostras colocadas em congeladores.

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