Depois dos Jogos, China volta seu foco para a economia

Os líderes chineses vão respiraraliviados quando a Olimpíada de Pequim terminar, podendo voltarsua atenção de volta para a economia, ávido para impedir umadesaceleração ou possível agitação. Estabilidade segue sendo a palavra-chave do desenvolvimentono 60o aniversário da República Popular da China, no próximoano. Reformas políticas que possam acabar com o monopólio doPartido Comunista no poder nem são consideradas. "A Olimpíada demonstrou o sucesso do atual sistema e adeterminação do Partido Comunista de não implementar reformaspolíticas. Não há razão para mudar", disse um comentaristapolítico chinês que pediu para não ser identificado. O presidente Hu Jintao promete sustentar o rápidocrescimento, enquanto a economia global enfraquece e a Chinaluta com vários problemas, incluindo pressões inflacionárias,desigualdade de renda, corrupção, falta de energia elétrica epoluição. Alguns críticos têm comparado os Jogos de Pequim com aOlimpíada de Berlim, de 1936, prevendo que a nação maispopulosa do mundo poderia se tornar um problema maior do que aAlemanha nazista. Os otimistas esperam que a China siga oexemplo da Coréia do Sul, sede dos Jogos de 1988, e sedemocratize. Nenhum dos cenários parece provável. A China tem procurado assegurar ao Ocidente que seucrescimento não vai se tornar um problema global e que não vaibuscar a hegemonia na região. Os críticos não estãoconvencidos. Mas Hu carece das credenciais revolucionárias de MaoTsé-Tung, fundador do comunismo na China. "A China não tem o poder", disse Liu Junning, cientistapolítico chinês. "Ainda existem muitos problemas, como apossibilidade de uma desaceleração no crescimento econômico. Hu desfez algumas políticas de força de seu antecessor,Jiang Zemin, melhorando as relações com o Japão, que ocupoubrutalmente partes da China de 1931 a 1945, e com Taiwan, que aChina reclama como parte de seu território desde a separação em1949 por conta de uma guerra civil. Depois de 30 anos de liberalização, os líderes chineses secomprometeram a continuar reformando a quarta maior economia domundo, abrindo-a, embora seguindo os passos ditados peloPartido. Para o povo chinês, a ampliação de liberdades individuais,desde o que comer e vestir, onde morar, liberdade para viajar,estudar e trabalhar, até com quem casar e quando ter filho --coisas que já foram ditadas pelo Partido -- serão expandidas. Mas o Partido não deve desafiar as próprias regras. Ele vaicontinuar apertando sua influência no Tibete em Xinjiang, assimcomo vão manter o controle sobre advogados, jornalistas eativistas, e a Internet. "A Olimpíada foi uma benção para seu desempenho, mas nãofez nada pela sua legitimidade do processo", disse Liu,referindo-se ao método usado na China para escolher seuslíderes. Mas nenhum líder vai assumir o risco de flertar com omodelo democrático do Ocidente. Mikhail Gorbachev pode ser um herói no Ocidente, mas ele éridicularizado pelos líderes chineses por trair o comunismo epor ser responsável pela derrocada da União Soviética. "Nenhum líder pode se dar ao luxo de ser visto cavando asepultura do Partido", disse Kou Chien-wen, observador da Chinabaseado em Taipé.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.