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Deslumbrada com 'clima', Michael Jackson leva memória feliz de queda em semi

Ex-atacante da seleção brasileira diz sentir 'saudade de tudo da Olimpíada'

Rafael Pezzo, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2016 | 07h00

No primeiro contato da reportagem do Estado com Marileia dos Santos, a secretária avisa: "A Michael não pode atender agora, pode ligar daqui meia hora?". Durante a entrevista, 30 minutos depois, a ex-atacante da seleção brasileira de futebol ri ao contar que "todos aqui no ministério me conhecem pelo apelido. E se me chamam pelo nome, demora para cair minha ficha". 

Mais conhecida como Michael Jackson, Marileia esteve com a seleção na Olimpíada de Atlanta, em 1996, na estreia do torneio de futebol feminino nos Jogos. O Brasil foi eliminado na semifinal pela China por 3 a 2, em virada nos oito minutos finais. Mas engana-se quem acredita que essa é uma memória triste para a ex-jogadora. "Na primeira vez em que futebol feminino brasileiro participava de uma Olimpíada tivemos a possibilidade de brigar por uma medalha, e isso foi maravilhoso. E sabíamos que com o passar do tempo o País estaria preparado para fazer outros Jogos Olímpicos ainda melhores."

Vinte anos depois da competição nos Estados Unidos, a brasileira diz sentir saudade "de tudo: daquele friozinho na barriga, da competição em si, do clima de Olimpíada, onde os atletas estão todos focados  em busca da medalha". 

Presente também na Copa do Mundo de 1995, na China, Michael foi surpreendida pelo clima olímpico. "Na Vila, a coisa é maravilhosa porque você encontra todos os tipos de atletas. A integração é ampla, uma vivência e emoção que só quem esteve lá pode ter; um momento único. Acho que todo atleta que chega em uma Olimpíada nunca mais esquece", recorda.

Autora de 1.574 gols, Michael Jackson foi eleita a terceira melhor jogadora do século XX pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS). "Atingi todos os objetivos que uma atleta sonha. Sou muito feliz por ter jogado futebol", declara a ex-atacante, que hoje é Coordenadora Geral da modalidade no ministério do Esporte. 

Marileia dos Santos foi revelada pelo Esporte Clube Radar, do Rio de Janeiro, na década de 1980. Com o sucesso nos campos, a equipe passou a ter partidas transmitidas pela TV Bandeirantes, com narrações de Luciano do Valle. E foi justamente o jornalista quem deu o apelido a ela. "Estava começando minha carreira e ele, que acompanhava muito o Radar, falou: 'Você é atleta do futuro. Brasileiro vive de apelido. Você se importaria se te chamasse de Michael Jackson?' Eu falei: 'Não, o que eu quero é jogar futebol'." 

O Radar chegou a ser convidado pelas confederações alemã e italiana para uma excursão pela Europa em 1986, quando levantou um pequeno campeonato mundial interclubes. Depois da equipe carioca, ainda passou por Corinthians, Santos, Vasco e Internacional. Antes da Copa do Mundo de 1995, se transferiu para a Itália, onde atuou pelo Torino. Além disso, defendeu a seleção brasileira por 12 anos. "E o apelido pegou mundialmente. Minha camisa da seleção era 'Michael Jackson' e no Torino, era 'Michael dos Santos'." 

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