Satiro Sodre|SSPress
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Dia decisivo para Cesar Cielo conquistar vaga olímpica

Nadador busca índice nos 100 m livre no Maria Lenk

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

18 de abril de 2016 | 07h00

Pode-se dizer que, mesmo faltando 109 dias para o início dos Jogos do Rio-2016, o Estádio Aquático Olímpico receberá sua primeira final olímpica nesta segunda-feira. Ao menos para Cesar Cielo. Medalhista de ouro em Pequim-2008, e duas vezes bronze, em Pequim e Londres-2012, o mais vitorioso nadador do Brasil em todos os tempos terá sua penúltima chance de estar na Olimpíada, em agosto. Ainda sem nenhum índice para os Jogos, Cielo compete na prova dos 100 m livre. Na quarta-feira, buscará a vaga nos 50 m livre. 

Nesta segunda-feira, Cielo deverá ter duas chances para buscar o índice olímpico que tanto precisa. Pela manhã, ele disputa as eliminatórias do Troféu Maria Lenk. No fim da tarde - caso se classifique -, faz a final. 

Desde que iniciou a competição, na sexta-feira, as melhores marcas, invariavelmente, têm saído nas provas eliminatórias. E isso deve aumentar ainda mais a pressão sobre Cesar Cielo caso ele não alcance o índice ainda pela manhã. Pior: um possível insucesso na prova desta segunda-feira colocará um peso adicional nas costas do nadador para a disputa de quarta-feira, a dos 50m livre, prova na qual ele conquistou o ouro em Pequim.

Apesar do clima de apreensão, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) diz ter convicção de que Cielo garantirá sua vaga. "A gente acredita piamente que ele vai para os Jogos Olímpicos", afirmou Ricardo de Moura, que acumula os cargos de diretor executivo e de supervisor técnico da natação na CBDA.

O problema é que, para estar na Olimpíada, apenas registrar os 48s99 nos 100 m não será suficiente. Cielo tem como foco garantir vaga no revezamento 4x100 m livre do Brasil e, além do índice, quer ficar entre os melhores da segunda seletiva. Em Palhoça, Nicolas Oliveira (48s41), Matheus Santana (48s71), Marcelo Chierighini (48s72) e Alan Vitória (48s96) ficaram abaixo da marca.

Esta é a primeira vez que Cesar Cielo chega à última seletiva olímpica sem sequer ter alcançado o índice mínimo. Para Moura, o motivo foi "um 2015 atípico". 

Ano passado, Cielo deixou o Mundial de Kazan por lesão no ombro e abandonou a seletiva em Santa Catarina após não ter conseguido se classificar para a final dos 100 m livre.

Moura tenta demonstrar tranquilidade quanto a isso. "Os atletas já passam por dois ciclos olímpicos, há um desgaste", ponderou. "Conversei com ele, numa visita aos Estados Unidos. Temos apoiado as ações. É um atleta que a gente tem de reverenciar. Ele está na história da natação brasileira, e acho que vai para Olimpíada."

O "apoio às ações" e a referência aos Estados Unidos dizem respeito a uma mudança drástica de rumo que Cielo resolveu tomar em janeiro, dias depois do fracasso no Open de Palhoça. O nadador encerrou os treinamentos sob supervisão de Arilson Silva, em São Paulo, e mudou-se para o Arizona. 

Lá, Cielo voltou a treinar com Scott Goodrich, amigo de longa data e responsável pela preparação do nadador nos Mundiais de Barcelona, em 2013, e de Piscina Curta de Doha, em 2014, competições em que somou cinco medalhas de ouro e duas de bronze. Tudo isso para não ver ir pelo ralo o projeto olímpico.

Focado na busca pela vaga na Olimpíada, o nadador evitou entrevistas nos últimos meses. Já no Rio para a disputa do Maria Lenk, Cielo disse que só pensa em "fazer o melhor" e "conseguir um bom tempo". O único bom tempo a essa altura é o que o colocaria nos Jogos do Rio.

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