Beto Barata/PR
Beto Barata/PR

Diante da crise, Paralimpíada do Rio passa por cortes para ser enxugada

Apenas 12% dos ingressos para os Jogos Paralímpicos foram vendidos até aqui

Jamil Chade, enviado especial ao Rio, Estadão Conteúdo

19 Agosto 2016 | 15h02

A crise financeira obrigará que instalações de Deodoro sejam profundamente reduzidas para os Jogos Paralímpicos do Rio, que começam dia 7 de setembro. A falta de dinheiro também levará ao fechamento de diversas instalações e a transferência de competições para outros lugares, com o objetivo de "maximizar os recursos". O número de ingressos também será fortemente cortado, de 3,4 milhões para apenas 2 milhões.

O anúncio foi feito um dia depois de o Comitê Rio-2016 anunciar que fechou um pacote de resgate com o governo federal e municipal de R$ 220 milhões. Pessoas que estiveram nas reuniões contaram que o presidente interino Michel Temer se envolveu diretamente em buscar uma solução, fazendo ligações para garantir a liberação de recursos. Mesmo assim, o compromisso é de que os serviços e instalações serão profundamente reduzidos. Até agora, apenas 12% dos ingressos foram vendidos.

O Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) afirma que a Paralimpíada no Rio em setembro será "a mais difícil jamais realizada" em mais de 50 anos da competição.

O Rio-2016 chegou a sugerir em encontros que algumas das modalidades fossem excluídas da competição. Mas ficou decidido que o evento ocorrerá com as 22 modalidades originalmente pensadas. "Ainda temos uma forte pressão sobre o orçamento do Comitê", disse Xavier Gonzalez, um dos organizadores do evento. "O maior desafio é rever o número de funcionários", disse. "Saberemos mais na próxima semana. Mas teremos uma redução nos serviços de transporte e isso afetará a todos", declarou.

"Nunca em 56 anos de história, enfrentamos isso", garantiu Philip Craven, presidente do IPC. "A atual situação econômica e política faz a preparação extremamente desafiadora. Estamos numa situação muito difícil", disse.

Na tentativa de reduzir custos, a esgrima será retirada de Deodoro, enquanto diversos serviços no complexo vão ser fechados. O parque também deixará de funcionar. Um dos maiores cortes será no tamanho das arenas. Inicialmente, elas teriam capacidade para um total de 3,1 milhões de pessoas. Mas serão cortados para 2,4 milhões. Ainda assim, a meta é de que se venda 2 milhões de entradas. "Todos vão ser afetados."

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