Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Após Rio-2016, ouro e outras 'lembrancinhas' entram em lista de presentes proibidos do COI

Delegados da entidade estão obrigados a assinar compromisso de que não aceitarão presentes, viagens ou ingressos de cidades candidatas

Jamil Chade, correspondente na Suíça, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 08h14

GENEBRA - Nada de relógios, canetas, vinhos ou bolsas. Muito menos máquinas de foto, smartphones, TV, computadores ou tablets. Ouro, metais preciosos e pedras, nem pensar. Diante de um de suas piores crises da história, o COI está exigindo que todos seus membros assinem um compromisso de ética, estabelecendo claras regras sobre o que um delegado pode ou não receber de cidades candidatas. Nenhum valor em dinheiro, obviamente, é aceitável. 

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Mergulhado na crise aberta pela suspeita de compra de votos pelo Rio de Janeiro, o COI agora quer garantias de que seus membros saibam quais os limites. Um dos temores dentro da entidade é de que, com as denúncias contra Carlos Arthur Nuzman, sejam revelados nomes de dirigentes que ainda fazem parte da entidade e que estariam envolvidos na compra de votos. 

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Como parte de uma reforma que já começou em 2014 e na esperança de dar um sinal a patrocinadores e mesmo à opinião pública, "princípios éticos" foram estabelecidos. Até o dia 5 de novembro, todos precisarão obrigatoriamente responder a um questionário e assina-lo. O documento foi primeiro revelado pelo site especializado Insidethegames. 

Ao Estado, um dos delegados do COI mostrou uma cópia do documento que havia recebido. Com quase 30 páginas, o documento cita explicitamente "o risco de qualquer percepção de corrupção pela sociedade civil" no processo de seleção de sedes. "Membros do COI não podem aceitar qualquer tipo de presente, qualquer que seja o valor, de uma cidade sede, seu Comitê Olímpico nacional ou qualquer pessoa ou entidade agindo em nome da candidatura", disse. 

A iniciativa foi a mesma que a Fifa adotou quando seus cartolas foram presos, estipulando até a exigência de que relógios dados pela CBF fossem devolvidos. 

Outro foco do COI é a venda de ingressos, usados como moeda de troca. As regras estipulam que os dirigentes podem comprar entradas para os eventos. Mas jamais revende-las. Em 2016, um dos membros da cúpula da entidade, Patrick Hickey, foi preso no Rio por suposta venda das entradas. Ele nega. 

Existem também agora até regras para o voo em jatos privados. Uma viagem de um membro do COI em um avião de uma terceira pessoa precisa ser autorizada antes pela entidade em Lausanne. 

Fica ainda proibido aceitar convites a recepções ou eventos esportivos, além de promessas de vantagens. Mesmo quando um presente chega de uma outra entidade olímpica, ele poderá ser obrigado a ser entregue ao Museu Olímpico em Lausanne. 

O COI, porém, preparou uma lista de itens que poderiam ser aceitos como presentes. Isso inclui camisetas, gravatas ou pins com o logo da cidade-candidata. Também ficam autorizados chocolate, produtos locais e vinhos "baratos". Nenhuma "remuneração secreta, comissão, vantagem e serviços" deve ser aceita. 

O novo contrato exige ainda que os membros denunciem essas práticas, além de alertar sobre eventuais conflitos de interesse. Isso incluiria outros membros da família. 

TESTE

Há até mesmo, no documento, uma espécie de simulado de situações em que um membro do COI precisaria reagir. Numa delas, apresenta-se uma situação em que o delegado ou sua família fazem parte do conselho de uma empresa que concorre a contratos relacionados aos Jogos Olímpicos. "O que você faz?". 

Na opção A, o delegado ignora, já que considera que não é ele quem toma a decisão. "Incorreto", diz o COI. "O potencial de que seja visto como conflito de interesse existe", alertou. A resposta correta, portanto, é a de que o delegado deve informar isso ao COI.

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