Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Diego Hypólito disse que entrou em depressão após cair em Olimpíada

Brasileiro, medalhista de prata no Rio, acabou caindo em Pequim-2008 e em Londres-2012

Constança Rezende, Estadão Conteúdo

20 de agosto de 2016 | 18h27

O ginasta Diego Hypólito, medalhista de prata nos Jogos do Rio, disse que caiu em depressão após ter ido mal em Pequim e Tóquio e confessou que se achava “insubstituível”. A declaração foi dada neste sábado, 20, em entrevista coletiva, no Rio Media Center, no Centro do Rio, quando se emocionou ao relatar problemas financeiros que sua família viveu. Também falaram os ginastas Arthur Zanetti, que ganhou prata, e Arthur Nory, que levou uma medalha de bronze.

“Já passei por muitas dificuldades, como a minha mãe chorando porque não tínhamos o que comer, já ficamos também gás em casa.  As derrotas serviram para eu ver que não eram só as Olimpídas, que existem coisas mais importantes, como a família. Fiquei menos egoísta”, disse.

Hypólito disse que também precisou superar outros momentos difíceis, como passar por dez cirurgias e ficar cinco anos sem treinar. “Os médicos falavam que eu não poderia mais voltar para a ginástica, nenhum médico quis me operar no Brasil. Minha vida virou uma novela”, declarou.

O atleta revelou que, quando caiu de cara na Olimpíada de Londres, caiu em depressão. “Pensava que não era merecedor de medalha. Entrei em depressão, fui internado, foi sério. Tinha tudo para dar errado”, declarou.

Hypólito também pediu que o governo continue investindo nos atletas e disse que o programa Bolsa Pódio foi fundamental para que eles tivessem o resultado. “Isso tudo é muito importante. mE outras olimpíadas, eu fui sozinho, como Pequim. Foi devido a muitos incentivos que tivemos cinco atletas competindo. Temos que ter mais pessoas investindo nas crianças, críticos já tem muitos”, afirmou.

Já Zanetti, fez um apelo para que o governo compre os modernos equipamentos de ginástica que foram trazidos até o Brasil por causa das Olimpíadas. “Poderíamos ter mais atletas de qualidade se tivéssemos mais aparelhos de ginástica no Brasil.  Precisamos de alguém para comprar os aparelhos vão retornar na Alemanha que estão sendo usados na Olimpíada e que estão com 30% de desconto.  Eles equipariam vários ginásios”, disse.

O atleta também cobrou a construção de um ginásio em São Caetano do Sul, município de São Paulo onde nasceu. “Tem um projeto, mas precisa sair logo do papel para agregar a esta nova geração que está subsistindo a gente”, afirmou.

Zanetti e Nory, que são terceiros-sargentos da Aeronáutica em um programa de apoio ao esporte iniciado pelo Ministério da Defesa em 2008, também foram questionados por que bateram continência no momento da entrega de medalhas e no Hino Nacional. Eles argumentaram que foi uma forma de agradecer o apoio das Forças Armadas.

“Eles nos deram suporte e com certeza vão nos ajudar muito mais”, disse Zanetti. “Eles separaram a gente e nos chamaram para investir, como fazem com atletas  de alto rendimento”, respondeu Nory.

Já Hypólito disse que não fez a posição e não treina pelas Forças Armadas “porque nunca foi convidado”. “Se fosse, faria parte sim”, disse.

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