Sérgio Castro
Diogo Silva fez a alegria das crianças na escola municipal Padre Leonel Franca Sérgio Castro

Diogo Silva leva tae kwon do ao Jardim Rincão e se emociona

Atleta participou do 'Esporte em Ação' nesta terça-feira

Redação, O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2016 | 14h16

O atleta Diogo Silva teve uma manhã emocionante, nesta terça-feira, na Escola Padre Leonel Franca, no Jardim Rincão, zona norte de São Paulo. Semifinalista no tae kwon do na olimpíada de Atenas-2004 e Londres-2012, o atleta foi o convidado do projeto "Esporte em Ação", que visa deixar um legado sobre os Jogos Olímpicos, com a participação de atletas em clínicas para os estudantes.

"Eu tinha várias opções, mas escolhi vir aqui, pois esta escola parece muito a que cursei quando tinha a idade de vocês", disse Diogo Silva, diante de 250 alunos. "Sempre estudei em escola pública. As pessoas aqui se parecem muito comigo", completou o atleta, de 34 anos, que é nascido em São Sebastião.

"Esta iniciativa é muito importante para a nossa comunidade. É a oportunidade que estes jovens têm de perceber que eles fazem parte de uma sociedade e que eles fazem parte da olimpíada que vai ser realizada no Rio", disse o professor de inglês Eder de Oliveira Daniel. Segundo ele, a presença de um atleta de taekwondo é importante também para a expansão da modalidade. "Pouquíssimos alunos conhecem este esporte. Isso ajuda a quebrar um pouco a monocultura do futebol."

Visivelmente emocionado, Diogo Silva recebeu homenagens e presentes dos alunos. O atleta recebeu uma máscara africana, uma caricatura feita pela aluna Tawane, além de ouvir um grupo cantar uma música de rap, composta pelo próprio Diogo. Após uma rápida apresentação de sua carreira e da história do taekwondo, Diogo ministrou uma aula, com exercícios básicos de chute e soco. A participação dos alunos surpreendeu o atleta, que soma em seu currículo a medalha de ouro nos Pan do Rio, em 2007, e quatro títulos da Universíade.

Um fato marcante durante a clínica foi o comportamento dos alunos, que em silêncio ouviram as instruções do "professor". O momento mais descontraído foi quando Diogo ensinou aos jovens que é preciso gritar após cada golpe. Ao final da aula, os alunos receberam do próprio Diogo uma medalha de participação e puderam posar para fotos. Diogo precisou ser retirado da quadra da escola devido ao grande assédio dos alunos.

"Pode ter certeza de que muitos deles não vão dormir ou vão sonhar com este dia", disse o professor Eder. "Esta visita foi muito importante, pois tivemos a construção de uma referência para esta juventude, que poderá encontrar por intermédio do esporte, como fez o Diogo, um espaço na sociedade", afirmou o professor Adelson Oliveira. 

Tudo o que sabemos sobre:
Diogo Silvatae kwon do

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Crianças se divertem com chutes e socos

Maioria dos alunos sequer conhecia o tae kwon do

O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2016 | 14h53

Uma mar de crianças se espalhou pela quadra coberta da escola Padre Leonel Franca, nesta terça-feira pela manhã, durante a clínica do atleta Diogo Silva. A maioria não conhecia o taek won do, mas se divertiu durante os 70 minutos em que distribuiu no ar socos e chutes. Todos soltaram um tradicional "ahhhhh" ao final da aula do atleta olímpico.

Entre os mais de 200 alunos reunidos, Kaio, de 8 anos, foi o destaque. Apesar de jamais ter praticado uma arte marcial, o garoto demonstrou ter talento para a modalidade esportiva. "Só tinha ouvido falar de taek won do, mas gostei muito. Os exercícios são divertidos e a gente movimenta o corpo todo", afirmou o garoto, ofegante por causa dos golpes desferidos.

Outra que se divertiu bastante foi Emey, de 9 anos. Esperta, a menina não parou um segundo durante o treinamento. "Adoro lutas, mas não bato em ninguém. Gosto de levantar a perna bem alto. Olha aqui!!!", disse a menina, demonstrando o exercício. 

Juan, de 10 anos, contou que já tinha visto tae kwon do na televisão, mas que não sabia que o esporte era tão "gostoso". "O mais legal é que a cada chute a gente consegue chutar mais para cima", divertiu-se o garoto, mostrando que a cada movimento seu desempenho era melhor.

Aline, de 17 anos, ex-aluna da escola, também nunca tinha ouvido falar de tae kwon do, se divertiu muito com as amigas, durante os exercícios, mas não gosta de lutas. "Prefiro natação. Vai ser o esporte que quero ver na olimpíada."

Apesar de todo o entusiasmo dos jovens, Diogo Silva conseguiu mostrar todas as técnicas com calma, pois o comportamento do grupo foi exemplar. O silêncio no momento de cumprimentar o adversário foi notado e admirado pelos professores presentes.

Antes da parte prática, Diogo Silva fez questão de visitar todas as salas da escola para se apresentar e falar com os alunos. "Estudamos a biografia do Diogo e vimos suas lutas", disse o professor Eder.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Diogo Silva adverte para a juventude da seleção de tae kwon do

Atleta está empolgado com a renovação dentro do esporte

O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2016 | 15h05

Semifinalista em dois Jogos Olímpicos, Diogo Silva chama a atenção para a juventude doo tae kwon do brasileiro nos Jogos Olímpicos do Rio. "É um grupo que possui atletas de 20 a 25 anos. Isso é bom, pois mostra uma renovação no esporte, uma geração a mais, mas ao mesmo tempo não sabemos como eles vão se comportar."

Diogo analisa que os resultados deverão ser cobrados no futuro. "Este grupo é para buscar resultados em 2020, mas vamos ver. Pode ser que surja algo novo e coisa boa aconteça."

Diogo afirma que o fato de a olimpíada ser disputada em casa pode causar problemas para os atletas nacionais. "Alguns podem sofrer uma pressão a mais pelo fato de lutar com torcida a favor. Só vamos saber a reação deles durante a competição."

Dono de 11 conquistas internacionais em 24 anos de carreira, Diogo disse que vai torcer para o Brasil conseguir manter a tradição dos últimos Jogos. "Conseguimos três semifinais nas três últimas olimpíadas. Vamos ver se o resultado de repete."

Ao mesmo tempo, Diogo lamenta o fato de o esporte no País não ter um tratamento semelhante ao que ocorre em outros países. "Treinei na Coreia do Sul, França, Espanha e em todos eles a gente vê um trabalho em conjunto entre a escola e o governo na busca de talentos. Na Espanha, o grande legado da olimpíada de 1992 é formar atletas até hoje."

Segundo Diogo, o maior legado que os Jogos do Rio deveriam deixar é o encurtamento da relação entre os jovens e o esporte. "Desta maneira teríamos uma população e um país melhores."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.