Executivos do Comitê Rio-2016 ganharam R$ 26,8 milhões entre 2011 e 2015

Valores não incluem pagamentos eventuais ao presidente Carlos Arthur Nuzman

Jamil Chade, enviado especial ao Rio, e Leonêncio Nossa, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2016 | 20h57

Um seleto grupo de brasileiros não tem motivos para reclamar do Rio-2016. Em meio às dificuldades cada vez maiores de orçamento e de arrecadação com ingressos e patrocinadores, os oito diretores-executivos do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos tiveram sucessivos aumentos de pagamentos que totalizam R$ 26,8 milhões entre 2011 e 2015. Os valores incluem salários e gastos. 

Os dados fazem parte dos balanços financeiros do Comitê Rio-2016 que, nos últimos dias, foram colocados no site de transparência do evento depois de uma pressão da Justiça. O grupo inclui oito executivos que, no fundo, são os responsáveis por organizar o evento milionário. Apesar da "transparência", os valores não incluem pagamentos eventuais ao presidente do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman. Oficialmente, ele insiste que não recebe nada.

À medida que o evento se aproximava, o valor do pagamento aumentava. Em 2011, foram R$ 2,7 milhões pagos aos oito executivos. No ano seguinte, o valor passou para R$ 3,1 milhões. Em 2013, já era de R$ 5 milhões, contra R$ 7,3 milhões em 2014 e R$ 8,3 milhões em 2015. Os valores de 2016 ainda não foram revelados. Mas a comemoração pode ser ainda maior, já que os pagamentos devem ser superiores aos de 2015. 

"Até 31 de dezembro de 2013, a entidade pagou a essa diretoria, a título de salários, o montante de R$ 5.062.014 (R$ 3.136.004 em 2012)", diz um dos balanços. Em gastos de viagens, o Rio-2016 ainda destinou R$ 24 milhões por ano, entre 2014 e 2015. Os dados também fazem parte dos balanços financeiros. 

Apesar dos altos salários, documentos do Ministério Público Federal obtidos pelo Estado indicam que, ao longo dos anos e mesmo num momento de expansão da economia brasileira, o Rio-2016 não conseguia fechar suas contas. Em 2010, o buraco era de R$ 22,6 milhões. Em 2012, ele já tinha saltado para R$ 90,6 milhões. Naqueles anos, o PIB nacional chegou a crescer 7,5%. 

Em maio deste ano, mais R$ 900 milhões foram cortados em gastos, na esperança de fechar o orçamento. Mas ainda assim o déficit não conseguiu ser evitado. 

Nesta semana, os organizadores do Rio-2016 confirmam que irão precisar de ajuda de dinheiro público. Numa viagem à cidade carioca, o presidente interino Michel Temer confirmou em uma reunião com os dirigentes que os cofres públicos garantirão R$ 250 milhões ao evento paralímpico.

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