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Dos tombos para a pista, Gideoni Monteiro sonha alto no ciclismo

Atleta do Omnium supera quedas e atropelamento para se destacar

Entrevista com

Gideoni Monteiro

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2015 | 15h03

Nesta sexta-feira, o ciclista Gideoni Monteiro entra em ação no Campeonato Pan-Americano de Ciclismo que vale pontos para o ranking olímpico. O atleta, nascido no interior do Ceará, é o especialista brasileiro na prova do omnium, que está para o ciclismo de pista assim como o decatlo está para o atletismo. Ele atualmente treina e mora na Suíça e ficou famoso por um tombo que tomou no Pan de Toronto, quando ganhou a medalha de bronze. Ele também já foi atropelado por um caminhão e tem uma história de superação, pois saiu de casa cedo para tentar a sorte no ciclismo e vem dando certo.

O evento ocorre em Santiago, no Chile, e Gideoni vai competir na prova mais difícil do ciclismo, o omnium, que tem seis corridas: Scratch, Perseguição Individual, Eliminação, 1 km Contrarrelógio, Flying Lap e Prova Por Pontos. Serão dois dias de disputa e o atleta compete na sexta-feira, a partir das 11h (de Brasília), e no sábado, a partir das 10h (de Brasília). Confira a entrevista exclusiva com o ciclista que pretende levar o nome do Brasil ao lugar mais alto do pódio.

Quando foi seu primeiro contato com a bicicleta?

Comecei em Aracaju (Sergipe) por influência do meu tio, que já pedalava e tinha uma loja de bicicletas. Foi ele quem montou minha primeira bike e me apresentou ao ciclismo de estrada. Eu tinha apenas 13 anos na época. No início não fui muito bem. Dois meses depois, venci minha primeira corrida, e isso me motivou a seguir no esporte. Comecei a me destacar e então o Nordeste ficou pequeno para mim. Aos 15, fui treinar em uma escolinha em Iracemópolis, próximo de Campinas (SP). Não foi fácil sair de casa tão novo, mas ali comecei a formar meu caráter como homem. Em 2008, no meu primeiro ano como sub-23, fui convocado para o Campeonato Pan-Americano. O pessoal percebeu que eu tinha potencial e ali a minha vida começou a mudar.

Você é famoso em sua cidade natal?

Olha, desde que ganhei a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto ainda não voltei em casa, o que farei depois do Campeonato Pan-Americano em Santiago. Tive de voltar para a Suíça para continuar os treinos. Mas sei que meu resultado repercutiu bastante por lá.

Como foi a repercussão de você aparecer todo ralado no Pan? Já teve muitas quedas?

Depois que apareceu aquela foto, parece que aumentou o carinho da torcida por mim (risos). Muita gente me perguntava como eu estava. Como ciclista, você está sujeito a tombos, mas não é sempre que acontece. Recentemente, na Inglaterra, também me envolvi em um acidente, caí e precisei levar uns pontos acima do nariz.

Como surgiu o Omnium em sua vida?

Tive meu primeiro contato com o Omnium em 2013 e de cara me identifiquei. É uma disputa que envolve mais resistência, exatamente minha especialidade por conta dos anos competindo em estrada. Além disso, percebi que, para a qualificação olímpica, eu tinha mais chances do que disputando a perseguição por equipes, por exemplo, quando só nove países competem na Olimpíada. No ano passado, comecei a me dedicar integralmente ao Omnium. Fui campeão brasileiro e me qualifiquei para disputar as etapas da Copa do Mundo. Comecei praticamente do zero. No início, tive a impressão de que os tops estavam muito à frente. Mas aos poucos fui me adaptando ao estilo do Omnium e conseguindo bons resultados. Terminei em 15º no último Mundial e, no Pan, fui o líder ao fim do primeiro dia de disputas. Você vê que está no caminho certo e isso só te traz mais motivação.

Como foi sua preparação para o Campeonato Pan-Americano?

Depois do Pan de Toronto, retornei para o Centro Mundial de Ciclismo, em Aigle, na Suíça, pois integro o Projeto Intercâmbio da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). O objetivo foi justamente se preparar para a disputa do Campeonato Pan-Americano, onde estarão os melhores do continente, e também para as provas internacionais que acontecem agora no segundo semestre. Recentemente, participei do Revolution Series, torneio realizado na Inglaterra que reuniu grandes estrelas da modalidade. Estou muito otimista para esta competição, que tem também importância por somar pontos para o ranking olímpico.

Quais suas expectativas para os Jogos Olímpicos?

A ideia é chegar bem competitivo ao Rio-2016. Para tanto, farei todas as provas internacionais que tiverem até lá. É importante estar competindo sempre junto dos melhores. Antes do Omnium, me sentia um pouco desacreditado, e ficava pensando em como ter a chance de participar de uma Olimpíada. Agora ela apareceu. Diria que minha meta é terminar entre os oito primeiros colocados. Depois, fazer um ciclo olímpico ainda mais forte para quem sabe, em 2020, com ainda mais experiência, brigar por medalha.

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