Claudio Beier
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Dupla brasileira da classe Nacra 17, na vela, inova para acertar patrocínio

Gabriela Nicolino recebe um ‘match’ no Clube do Patrocínio, site que busca aproximar investidores de projetos no esporte

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2019 | 04h35

A dificuldade em conseguir patrocínios é uma realidade de muitos atletas olímpicos brasileiros e se acirrou após um período de bons ventos antes dos Jogos do Rio, em 2016. E diante desse panorama sombrio, a velejadora Gabriela Nicolino, que compete na classe Nacra 17 ao lado de Samuel Albrecht, teve a ideia de buscar recursos via patrocínio incentivado.

“É uma das formas que a nossa confederação utiliza para captação de recursos. Daí nos veio a ideia de tentar um projeto pessoal para viabilizarmos a compra de mais material e estrutura para nossa campanha”, comentou a atleta, lembrando que já havia tentado de muitas formas se aproximar de parceiros, mas sem muito sucesso.

“Nossa equipe conseguiu resultados expressivos como o 5.º lugar no Mundial, medalha de prata na etapa da Copa do Mundo de Miami e a vaga para os Jogos Pan-Americanos. Contatamos diversas empresas se juntarem ao projeto e mesmo assim obtivemos poucos retornos positivos. Há interesse, mas é difícil converter-se em um patrocínio”, explica.

Foi aí que ela recebeu um “match” no Clube do Patrocínio, um site que busca aproximar patrocinadores de projetos. No caso, a atleta fez um cadastro na plataforma e o algoritmo acabou cruzando os interesses dela com os de uma empresa. “Ele faz recomendações automáticas analisando a nossa base de dados de mais de 100 mil projetos, a maior base de projetos do Brasil”, conta Sadi Neto, gestor do Clube do Patrocínio pela Golden Goal.

Foi aí que Gabi e o Grupo Cobra chegaram a um acordo via Lei de Incentivo. “Eles demonstraram alinhamento com os valores e características do nosso esporte, entraram em contato e negociamos uma cota de patrocínio. Foi um valor expressivo, basicamente representa que vamos poder renovar grande parte do nosso material de treinamento no Brasil, com novas velas e um bote motorizado novo, usado pelo nosso técnico Paulo Ribeiro para nos acompanhar na água”, festeja a velejadora.

Gabi mostrou que através das leis de incentivo atletas podem criar projetos e obter patrocínio sem que isso tenha um impacto financeiro nos parceiros, uma vez que o valor investido será deduzido de impostos. “Essa mecânica aumenta consideravelmente a possibilidade de um atleta obter patrocínio, pois assim como no patrocínio tradicional, o patrocínio incentivado de forma geral também permite a exposição da marca do patrocinador e outras forma de ativação”, lembra Sadi Neto.

O Brasil já tem a vaga garantida na classe Nacra 17 nos Jogos Olímpicos de Tóquio, conquistada por Gabi e Samuca no último Mundial, na Dinamarca. Mas eles ainda precisam confirmar que serão os representantes do País.

“A preparação é extremamente dura e custosa. São horas e horas de água, além de muitas viagens para competições e treinos. É importantíssimo que todas as horas dedicadas sejam aproveitadas 100% para desenvolvermos a técnica e selecionarmos o melhor material possível para estas grandes competições. O patrocínio do Grupo Cobra entra com este diferencial, de nos possibilitar qualidade no treino e estrutura para avaliarmos e selecionarmos as melhores velas para os grandes eventos”, diz Gabi.

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