‘É injustiça o que fizeram com ele’, diz ex-mulher de detido

Suspeito de terrorismo, Mohamad Zakaria tinha loja de roupas no Brás e frequentava Mesquita no Pari com outro preso

Fábio Leite, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2016 | 07h00

A prisão do comerciante Mohamad Mounir Zakaria por supostamente planejar atos terroristas durante a Olimpíada do Rio com outros 11 suspeitos chocou familiares e amigos muçulmanos que frequentam a mesma Mesquita que o libanês naturalizado brasileiro, no Pari, bairro da região central de São Paulo. 

Casada com ele até o ano passado, a brasileira Simone Reis de Amorim Zakaria disse que as acusações feitas pela Polícia Federal são mentirosas e que o ex-marido está sendo injustiçado. “Estou chocada com isso que aconteceu. Não é nada verdade o que estão falando do meu marido. É uma injustiça o que estão fazendo com ele”, disse.

Segundo amigos, Zakaria nasceu no norte do Líbano, próxima à fronteira com a Síria, e mudou-se para São Paulo na década de 1980, quando começou a trabalhar com confecção e venda de roupas no bairro do Brás. Chegou a ter cinco empresas em seu nome, mas hoje atuaria apenas como representante comercial na região.

Com Simone, tem três filhos, todos convertidos ao Islã. É descrito como um homem “tranquilo” e “pacífico”, mas “radical” nos costumes muçulmanos. Não cumprimentaria mulheres nem sentaria à mesa se houvesse bebida alcoólica. Chamado de “Zacarias” por alguns colegas brasileiros, teria abandonado um box comercial no centro devendo R$ 5 mil.

Na manhã de anteontem, foi preso por agentes da Polícia Federal em seu apartamento em um prédio simples no Pari acusado de ser terrorista. "Ele não fez nada disso, não virou nada disso. Só que, infelizmente, ele conversa com o pessoal, dava apoio para brasileiros muçulmanos. Não sei o que fizeram com ele. Mas que ele é uma pessoa boa, que gosta de ajudar todo mundo”, disse Simone.

Foi na Mesquita do Pari que Zakaria conheceu Vitor Barbosa de Magalhães, de 23 anos, também detido pela PF por supostamente integrar o grupo. Segundo o xeque Rodrigo Rodrigues, de 39 anos, ambos não tinham discurso de ódio. “Talvez tenham curtido alguma coisa na internet e por isso caíram como bode expiatório para a Polícia Federal mostrar ao mundo que pode prender quem ela quiser”, criticou.

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