Marko Djurica / Reuters
Marko Djurica / Reuters

É ouro! Wendell Belarmino vence prova dos 50m livre classe s11 da natação em Tóquio

Atual campeão mundial, brasileiro supera chineses e lituano em sua primeira Paralimpíada

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2021 | 06h23

O Brasil foi representado por Wendell Belarmino e Matheus Rheine na prova dos 50m livre da classe s11 (deficiência visual severa) na Paralimpíada de Tóquio, e saiu com nada menos do que um ouro no pescoço: Belarmino conseguiu superar rivais chineses e vencer a prova com o tempo de 26:04. Rheine ficou na sexta posição.

Em uma prova curta como os 50m livre da natação, o mais importante é largar bem e manter o ritmo forte até a braçada final, e foi o que Belarmino fez. O brasileiro saiu bem, um pouco atrás do chinês Dongdong Chua, que ficou com a prata, e conseguiu ultrapassá-lo. O bronze ficou com o lituano Edgaras Matakas.

"A ideia era vir, me divertir e nadar o mais rápido possível. Felizmente, o mais rápido possível foi medalha de ouro. Eu estou realizando três sonhos: vir para uma Paralimpíada, disputar uma final e ser medalha de ouro. Eu tirei um peso dos ombros quando bati na parede e ouvi a galera do Brasil gritando (outros nadadores e comissões técnicas)", afirmou Belarmino ao SporTV após a vitória.

Belarmino tem 23 anos e é natural de Brasília. O nadador é o atual campeão mundial da prova que ganhou na Paralimpíada, e vice nos 100m livre, que ele não disputará em Tóquio. Contudo, ainda tem mais uma prova no Japão, os 200m medley da classe s11, com possibilidade de medalha também.

Um detalhe que chamou atenção na preparação de Wendell para Tóquio é que o brasileiro utilizava túneis de vento como forma de relaxar, mas também de fortalecer a sensibilidade corporal, estimulada indiretamente pelos voos no simulador. Como é deficiente visual, o tato é fundamental para o brasileiro na piscina, como demonstrou em sua primeira Paralimpíada.

Pré-Jogos

Com glaucoma congênito, o nadador natural de Brasília disputa provas da classe S11, para atletas com deficiência visual total. Ele tem em torno de 3% da visão. Antes dos Jogos, o competidor conquistou seis medalhas (4 ouros e 2 pratas) no Parapan de Lima, em 2019, e também um ouro, uma prata e mais um bronze no Mundial de Natação (Londres 2019).  O ouro conquistado nos 50m livre lhe garantiu uma vaga em Tóquio.

"Comecei a fazer natação aos dois ou três anos de idade. Sempre gostei de piscina e também de esportes, e sempre fui uma pessoa competitiva". Mas uma outra paixão surgiu na sua vida. "Parei de fazer aulas de natação por volta dos 5 anos, quando me convidaram para fazer hipismo. Gostei muito, fiz por quatro anos, dos 7 aos 11", conta, antes de retornar para as piscinas. "Até que em 2012 me chamaram para fazer aula de natação aqui em Brasília. Era um projeto para tirar deficiente do ócio. E foi aí que conheci o esporte paralímpico, vi que era possível competir em alto nível". 

 

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