Peter Cziborra/Reuters
Peter Cziborra/Reuters

Eliminado no boxe, Julião reclama do árbitro e já pensa em começar projeto social

Brasileiro foi punido por dar cabeçadas no adversário durante a luta

Demétrio Vecchioli, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 12h44

Aos 34 anos, Julião Neto vai encerrar a carreira de boxeador sem uma medalha olímpica. O paraense perdeu na estreia dos Jogos do Rio, neste sábado de manhã, para o norte-americano Antonio Vargas, de 19, campeão olímpico da juventude em 2014. Para ele, foi decisiva a punição aplicada pelo árbitro central, o ucraniano Mykola Karakulov, que tirou um ponto dele no último round.

"Foi uma luta dura, contra um adversário bom, apesar de jovem. Perdi na tirada de ponto. Acabou comigo quando tirou ponto. Era para deixar rolar. Estava no último round, podia deixar rolar", reclamou Julião, punido por dar cabeçadas. De acordo com o brasileiro, a punição era justificável, mas deveria ter sido aplicada aos dois. "Ele me deu bastante cabeçada. Eu também tomei bastante cabeçada, estou todo dolorido. Quando ele tirou ponto, aí já era. Tirou ponto em um round o atleta já perdeu o round", argumentou.

Dois dos juízes laterais haviam visto vitória de Julião no primeiro round - só um lituano pontuou vitória de Vargas. No segundo assalto, foi unânime o entendimento de que o norte-americano foi superior. A luta estava empatada quando veio a punição ao brasileiro, que perdeu um ponto de cada um dos juízes. Para vencer, a partir dali, só nocauteando.

No fim, a vitória de Vargas foi por decisão majoritária. Dois árbitros deram vitória do americano, respectivamente por 29 a 27 e 30 a 26, enquanto outro deu empate em 28 a 28 - seria uma vitória do brasileiro se não fosse ponto retirado.

Agora, entretanto, a Olimpíada é passado para Julião. Ele admite que não tem mais fôlego para um novo ciclo olímpico. Deve lutar por mais dois anos e, depois, iniciar um projeto social no bairro de Guamá, em Belém, onde cresceu com seis irmãos, criado apenas pela mãe - o pai morreu cedo.

"Quero tirar crianças de rua. Onde eu moro é muito difícil, é um bairro muito pobre, muito violento", disse ele, que também sonha se tornar treinador de alto rendimento. "Tenho uma boa conduta. Sou ótimo atleta. Minha estadia na seleção é muito boa, todos gostam de mim na seleção. Vou pedir o apoio ao presidente da confederação (Mauro Silva) para no futuro virar um grande treinador."

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