Elogios às arenas, críticas às filas: alguns pontos negativos e positivos da Olimpíada

Rio teve como ponto alto as festas no Boulevard Olímpico; alimentação e transporte público na volta para casa falharam

O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2016 | 05h00

Clima festivo na cidade, arenas limpas, metrô, BRT e trem funcionando bem na chegada a competições. Comida cara e em quantidade insuficiente, filas longas para entrar nos estádios, transporte falho na volta para casa. A Olimpíada termina com saldo positivo, mas torcedores e jornalistas ouvidos pelo Estado relataram alguns reveses.

O carioca, que desconfiava da capacidade do Rio de receber bem os milhares de visitantes, de organizar os jogos e de vencer os desafios da segurança e mobilidade, parece orgulhoso e aliviado. Porém, se ressente dos episódios de violência, principalmente a morte, por traficantes, do soldado da Força Nacional Hélio Andrade, no Complexo da Maré, no dia 10.

Tanto o Parque Olímpico, na Barra, quanto a Arena do Vôlei de Praia, em Copacabana, e o Complexo Esportivo de Deodoro receberam elogios pela beleza, limpeza e pontualidade das competições. A arena teve duas atrações extras: a vista da praia e a presença de animadores, que entretiveram o público e fizeram sucesso com as crianças. O senão: as longas filas para entrar, por causa da revista e do raio X – muita gente perdeu parte de partidas por isso – e também nas lanchonetes.

A Marina da Glória, local das competições de vela, foi a mais carioca das arenas. O público assistiu às regatas na Praia do Flamengo, tendo o Pão de Açúcar ao fundo, e protegido pela sombra de ombrelones, em esteiras à beira-mar. Um telão mostrava as provas nas raias distantes. “A gente não tinha noção de que seria assim. Ficou a cara do Rio”, disse a administradora Verônica Ribeiro, de 35 anos. Não havia grandes filas para comprar comida e vendedores compunham o clima de domingo.

No quesito festa, um acerto foi a escolha do Boulevard Olímpico como point do evento. A nova Praça Mauá, devolvida à cidade há dez meses, se transformou na queridinha de cariocas e turistas – 1 milhão de pessoas se dirigiram em multidões para assistir a transmissões ao vivo de provas no telão, ver shows ou simplesmente flanar.

Metrô. O horário do metrô foi o principal alvo de críticas. Em dias de jogos noturnos no Parque Olímpico e no Maracanãzinho, as estações fecharam antes que os torcedores chegassem. A recomendação do secretário municipal de Coordenação de Governo, Rafael Picciani, para que o público saísse antes do fim dos jogos, causou indignação. “A declaração foi inacreditável. Você paga uma fortuna para sair antes de acabar? Torce para o jogo não ser bom, para terminar rápido? Na partida de vôlei masculino contra os Estados Unidos, estávamos perdendo de 2x1 e parte do público torceu para os brasileiros perderem logo para pegar o metrô aberto”, lamentou o designer Rogério Boechat, de 38 anos.

DEU CERTO:

– Cerimônia de abertura

– Esquema de limpeza, organização, clima, shows e alimentação no Boulevard Olímpico

– Limpeza das arenas

– Voluntário em bom número e bem informados

– Cartão de transporte olímpico

– Clima festivo e gentileza dos cariocas com turistas

– Torcedores brasileiros dando apoio a equipes estrangeiras

– Animadores que entretiveram as torcidas durante o vôlei

DEU ERRADO:

– Água da piscina do Parque Maria Lenk, que ficou verde durante cinco dias

– Sistema de venda de ingressos online claudicante

– Filas longas para entrar nas arenas

– Filas também para comprar comida nas arenas, além de bebidas quentes e falta de reposição de itens

– Banheiros insuficientes no Boulevard Olímpico

– Falta de transporte para voltar à noite do Parque Olímpico

– Segurança precária em Deodoro. Houve o registro de duas balas perdidas

– Torcedores brasileiros que vaiaram atletas estrangeiros

– Torcedores brasileiros que fizeram barulho excessivo em momentos que os atletas precisavam de concentração

– Assentos com vista parcial para natação e no basquete

LEGADO PARA O RIO:

– BRT Transolímpica (Deodoro-Recreio)

– Linha-4 do metrô (Ipanema-Barra)

– Revitalização da zona portuária, com reabertura da Praça Mauá

– VLT do centro. Uma linha foi contruída e há previsão de outras

– Ampliação do Elevado do Joá (São Conrado-Barra)

– O circuito de canoagem slalom e a pista de ciclismo BMX vão fazer parte do Parque Radical, que deve ser o segundo maior parque da cidade

– Arena do Futuro. O espaço das competições de handebol será desmontado e transformado em quatro escolas municipais, cada uma com 500 alunos, sendo duas na Barra, uma em Jacarepaguá e outra em São Cristóvão

– Estádio Aquático. O espaço da natação e do polo aquático vai virar o centro administrativo do Centro Olímpico de Treinamento para atletas de alto rendimento

– Complexo esportivo de Deodoro

– Ampliação do Aeroporto Internacional. O terminal 2 do Galeão ganhou uma extensão, área de mais de 100 mil metros quadrados, com 26 novas pontes de embarque, e um espaço de lojas e restaurantes de 30 mil metros quadrados

– Rede hoteleira. Incremento de 28 mil quartos em hotéis, especialmente na região da Barra da Tijuca/ COLABOROU CLARISSA THOMÉ

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