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Em meio à Olimpíada, Japão homenageia vítimas no 76º aniversário da bomba atômica em Hiroshima

Hiroshima propôs ao COI convidar atletas dos Jogos a se juntarem ao minuto de silêncio, mas a ideia foi rejeitada por Thomas Bach

AFP, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 07h33

O Japão homenageou nesta sexta-feira as vítimas da bomba atômica em Hiroshima, lançada em 6 de agosto de 1945, com a polêmica este ano da recusa do Comitê Olímpico Internacional (COI) em respeitar um minuto de silêncio durante os atuais Jogos de Olímpicos de Tóquio. Nada vai parar na competição.

Sobreviventes, parentes e um punhado de dignitários estrangeiros compareceram à cerimônia matinal em Hiroshima para homenagear as vítimas e pedir paz no mundo. Dada a persistência da pandemia de covid-19, a cerimônia não foi aberta ao público, mas pôde ser acompanhada pela internet.

Os participantes, usando máscaras e muitos vestidos de preto, observaram um minuto de silêncio às 8h15 locais (20h15 de quinta-feira em Brasília), horário em que a bomba atômica americana foi lançada sobre a cidade há 76 anos. Sobreviventes e o município de Hiroshima propuseram ao COI convidar os atletas dos Jogos a se juntarem ao minuto de silêncio de Tóquio. Porém, o presidente do COI, Thomas Bach, rejeitou a proposta e respondeu que a cerimônia de encerramento dos Jogos, no próximo domingo, dará a oportunidade de homenagear as vítimas de todos os trágicos acontecimentos da história.

"É decepcionante, embora apreciemos o fato de o presidente Bach ter visitado Hiroshima" antes dos Jogos, declarou Tomohiro Higaki, um alto funcionário da cidade. Bach esteve em Hiroshima no dia 16 de julho para marcar o início da tradicional "trégua olímpica", que visa garantir a suspensão das hostilidades no mundo durante os jogos.

A bomba atômica foi responsável por 140.000 mortes em Hiroshima. A bomba lançada 9 de agosto de 1945 em Nagasaki deixou 74.000 mortos. O Japão se rendeu em 15 de agosto de 1945, encerrando a Segunda Guerra Mundial.

A cerimônia deste ano em Hiroshima é a primeira depois da entrada em vigor, no último mês de janeiro, do Tratado Internacional sobre a proibição de armas nucleares (TIAN). No entanto, este tratado não foi assinado por nove países que possuem armas atômicas (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte), nem pelo Japão, um forte aliado de Washington e muito dependente do poder militar norte-americano para garantir a defesa regional.

"Para o Japão, é apropriado seguir um caminho realista em direção ao desarme nucler, enquanto responde de maneira realista às ameaças à sua segurança, mantendo e reforçando a dissuasão", declarou nesta sexta o primeiro ministro japonês Yoshihide Suga.

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