Em Pequim, Bimba espera ter sorte que faltou em Atenas 2004

Velejador brasileiro deixou escapar a medalha olímpica no último dia de competição; ventos fracos preocupam

EFE

29 de julho de 2008 | 12h16

O velejador brasileiro Ricardo Winicki, o Bimba, esperança de medalha para o país na classe RS:X, disse que espera ter um desempenho melhor do que o dos Jogos de Atenas, quando deixou o ouro escapar no último dia de competição.   Na Grécia, Bimba teve um desempenho surpreendente e chegou à última regata na liderança, precisando de um 16.º lugar para ficar, no mínimo, com o bronze. Entretanto, foi o 17.º e acabou com a quarta posição, fora do pódio.   O atleta revelou que vários fatores influenciaram no resultado. Desde o excesso de tranqüilidade às rajadas de vento dos helicópteros que faziam as imagens para a televisão.   "Havia helicópteros filmando a regata, fazendo rajadas de vento. Talvez eu tenha ficado tranqüilo demais naquela regata. Acho que faltou um pouquinho de adrenalina e não deu nada certo. Acho que não era minha hora. A sorte não estava muito do meu lado e espero que ela esteja agora em Pequim", disse.   Três anos depois, o carioca se viu em uma situação parecida, só que pelo Mundial de Portugal. Winicki chegou à última regata em primeiro lugar e revelou que a noite anterior à prova decisiva foi marcada pela ansiedade.   "Penei para dormir naquela última noite. Pensei bastante em Atenas, sofri muito, com medo de passar por aquilo tudo de novo. Fiquei bastante nervoso e foi aí que eu percebi que estava sentindo aquela adrenalina que faltou na Grécia", disse.   Só que naquela oportunidade o final da história foi diferente. Bimba se sagrou campeão e conseguiu colocar, definitivamente, seu nome entre os principais do windsurf no mundo.   "Provei para mim mesmo que sou capaz de subir no pódio em um campeonato tão importante e também por posso competir tranqüilo", afirmou.   No entanto, o título mundial de 2007 e conquistas mais recentes como a Semana da Vela Francesa não foram suficientes para que Bimba aparecesse entre os primeiros do ranking mundial da federação internacional da modalidade.   Bens no ranking ou não, Bimba disse que dez atletas terão condições de lutar pelo ouro na raia olímpica de Qingdao, a partir de 11 de agosto.   "Alguns deles são os representantes de Portugal, Nova Zelândia, França, Inglaterra, Espanha, Polônia, Israel e China. Uma turma muito forte, bem preparada. Todos já subiram no pódio em campeonatos internacionais. Então, o bicho vai pegar", explicou o brasileiro, que vai competir contra alguns de seus melhores amigos.   "É bom ter pessoas em quem você confia, que não vão te atrapalhar. Vão entrar com muito 'fair play' para tentar te vencer. Em Atenas, isso foi legal. Meus próprios adversários torciam por mim, isso é algo que não tem preço", disse.   Uma das suas únicas preocupações é a falta de ventos em Qingdao. "Em Atenas tinha muito mais vento, eram condições normais. Não faço questão nem que seja um lugar que vente todo dia, mas é legal poder variar o máximo possível. Com ventos fortes, quem é pesado leva vantagem. No fraco, os leves saem na frente", disse.   "Sou leve e alto, moro em Búzios, um lugar que venta bastante. Então aprendi a velejar bem no vento forte e, por ser leve, também consigo ir bem no fraco. Acho que consigo tirar uma média legal e ter bons resultados", completou.  

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