Silvia Izquierdo/AP
Silvia Izquierdo/AP

Em reunião, Nuzman critica empresário dono da Vila dos Atletas

Carlos Carvalho é responsável por obras importantes para os Jogos

Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2015 | 19h01

O presidente do Comitê Organizador Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, criticou nesta quarta-feira declarações do empresário Carlos Carvalho, responsável por algumas das principais obras dos Jogos Olímpicos, que afirmou recentemente que a Barra da Tijuca, bairro que vai receber a maioria das competições, não é local para a população mais pobre.

Em entrevista à BBC, Carvalho afirmou que não concordava com a repetição, no Rio, do sistema adotado na Olimpíada de Londres em 2012, quando os apartamentos da vila dos atletas foram distribuídos em programas para a população de baixa renda. "Para botar tubulação de água e de luz há um custo alto, e quem mora paga. Como é que você vai botar o pobre ali?", afirmou.

Outra polêmica que envolve os Jogos do Rio é a remoção da favela Vila Autódromo, que fica ao lado do Parque Olímpico. A prefeitura do Rio já emitiu ordem para que os moradores se retirem de suas casas, mas muitos resistem. A retirada da favela também foi apoiada por Carvalho.

Nuzman disse ter tomado conhecimento das declarações de Carvalho por meio da imprensa durante coletiva com membros do COI nesta quarta, mas ainda assim não poupou o empresário, de 91 anos. "É uma pena que uma pessoa da idade dele tenha colocado as coisas dessa maneira", considerou, o dirigente de 73 anos.

"Não posso acreditar que tenha dito isso dentro dos objetivos dos Jogos Olímpicos. Se for isso, sou radicalmente contra", prosseguiu. "Os Jogos são para todos. Quando decidimos que os Jogos seriam realizados em quatro zonas foi justamente para criar integração social, para que os jovens de até 18 anos, cuja maioria mora em Deodoro, pudesse participar da integração social."

Carvalho é dono da empreiteira Carvalho Hoskem, responsável pela construção da Vila dos Atletas, com 3.604 apartamentos de luxo, que serão vendidos após os Jogos Olímpicos, além de participar do consórcio responsável por parte das obras do Parque Olímpico da Barra, local que vai receber a maioria das provas olímpicas.

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