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Em transição, delegação de Cuba decepciona nos Jogos

Vôlei, atletismo e outros sentem o peso de participar dos Jogos com grupo de competidores ainda muito jovens

Ubiratan Brasil, enviado especial ao Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 17h00

O esporte de Cuba vive um momento delicado. Depois de terminar em 15º lugar na classificação geral da Olimpíada de Londres 2012 (a segunda melhor posição entre os países americanos, atrás apenas dos Estados Unidos), os caribenhos ocupam até o momento a 17ª colocação, com cinco ouros, atrás de Brasil, Jamaica e EUA. E algumas modalidades, como o atletismo e o vôlei, vêm decepcionando.

“Só temos atletas jovens no momento”, observou Nicolas Vives, técnico da seleção cubana masculina de vôlei, que perdeu todas suas cinco partidas na fase preliminar e ganhou apenas um set. “Por ora, nossos melhores atletas são justamente os mais jovens.” 

De fato, a fase é de renovação. O que possibilita situações absurdas, como a nova ausência da equipe feminina de vôlei no Rio, repetindo a falta de Londres. Situação melancólica para um time que dominou o cenário mundial nos anos 1990. 

A seleção cubana foi tricampeã olímpica (1992, 1996 e 2000). Ganhou dois títulos mundiais, em 1994 e 1998. Venceu a Copa do Mundo do Japão em 1989, 1991, 1995 e 1999. A geração formada por Mireya Luis, Regla Torres, Regla Bell, Carvajal, Aguero, Yumilka Ruiz era considerada imbatível. Hoje, há uma estrela solitária, a oposta Melissa Vargas, de apenas 15 anos, que já deixou seu país para jogar no Prostejovský, clube da República Checa.

Esse é o grande mal que aflige o esporte cubano da atualidade. Com as mudanças políticas e econômicas, que resultaram no restabelecimento de relações com os EUA, os atletas mais promissores deixaram a ilha em busca de melhores salários e mais oportunidades. Nos últimos anos, 82 jogadores de vôlei deixaram Cuba. Tamanho êxodo, piorado com a queda nos investimentos esportivos, abalou o esporte de alto nível e provocou uma inevitável redução do número de integrantes das delegações olímpicas e dos pódios conquistados. 

Em Londres 2012, a delegação cubana participou com o menor contingente de atletas (111), o menor desde os Jogos de 1964, que foi o primeiro ciclo pós-revolução, quando 27 representantes estiveram em Tóquio. Ainda em 2012, o time encerrou a competição com apenas 14 medalhas, das quais 5 de ouro. Marca muito distante da campanha mais expressiva, ocorrida em Barcelona, em 1992, quando foram conquistadas 31 medalhas (14 de ouro).

Para estancar a sangria, a federação cubana passou a controlar a saída dos atletas: ela mesmo cuida das transferências e o jogador fica com 90% do valor do contrato. O restante fica com os dirigentes, para aquisição de bolas, redes e outros implementos. Uma tentativa de sonhar com um futuro melhor.

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