Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Enfim, legado olímpico para o esporte brasileiro chega em Deodoro

Após ficar quase um ano fechado, canal passa a receber treinos e será sede do Mundial de Canoagem Slalom

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2018 | 07h00

O caminho para o Brasil chegar ao pódio da canoagem slalom em Tóquio-2020 é tortuoso, tem 30 milhões de litros de água e sensação térmica de 40ºC. É percorrido seis dias por semana e, só este ano, por pelo menos três meses. Mesmo assim, é enaltecido por quem o percorre como sendo “um dos melhores do mundo”. Ninguém se queixa.

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A promessa de que as instalações permanentes dos Jogos do Rio-2016 colocariam o País em outro patamar olímpico ainda é envolta em incertezas, mas desde o fim do ano passado pelo menos os atletas da slalom têm pouco do que se queixar. Parceria entre a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e a prefeitura do Rio permite que a equipe brasileira treine na corredeira artificial construída no Complexo de Deodoro para a última Olimpíada.

“É um dos melhores canais que eu já remei em toda minha experiência como atleta”, diz Ana Sátila, principal canoísta do Brasil e dona de dois pódios no Mundial do ano passado, na França. “O treinamento pra Tóquio está acontecendo desde que a gente acorda até a hora de dormir. Temos metas estabelecidas e precisamos treinar forte.”

Apontada como uma das melhores e mais modernas pistas de canoagem slalom do mundo, o circuito de Deodoro passou quase um ano fechado. Em agosto, reportagem do Estado mostrou que a água havia ficado esverdeada por falta de tratamento e manutenção. Até mesmo jacarés foram retirados de lá.

A prefeitura do Rio recuperou o local e o equipamento vai receber em setembro o Mundial da categoria. O fato de poder treinar no mesmo local da competição mais importante do ano é comemorado pelos atletas brasileiros.

“Tem muita vantagem. O grande fator é você treinar na pista que vai competir. Se o Mundial fosse na França, a gente ia ter que treinar lá o máximo que pudesse. Como é no Brasil, estamos treinando muito mais que os outros”, comenta Pedro Henrique Gonçalves, o Pepê, finalista nos Jogos do Rio-2016.

Desde dezembro, Ana Sátila e Pepê treinam com a equipe em Deodoro de segunda a sábado, pela manhã. À tarde, três vezes por semana, o grupo utiliza os equipamentos do CT Time Brasil, no Parque Aquático Maria Lenk. Antes, a equipe treinava em Foz do Iguaçu, mas em condições abaixo das ideais. Assim, a CBCa buscou apoio do COB.

“A equipe enfrentava dificuldades em Foz do Iguaçu, mais até em função do volume de água da represa. Isso dificultava às vezes principalmente no período de inverno europeu, que dificultava treinamentos fora do País”, explica Jorge Bichara, gerente geral de Alto Rendimento do COB. “Nosso investimento está relacionado a questões de logística e eles fazem uso do Maria Lenk para o treinamento fora d’água e para fase de recuperação, além da parte de musculação e as avaliações que fizemos no nosso laboratório.”

Para Cássio Petry, técnico da seleção brasileira de canoagem slalom, os treinos em Deodoro têm potencial de colocar a modalidade em outro patamar. “Nossa equipe é forte, mas tenho certeza de que vai crescer muito. É um grupo de elite, alguns tiveram boa participação no Rio, e com essa volta do canal de Deodoro, juntamente com a estrutura do COB, vamos ter um grande crescimento.”

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Manutenção mensal do lago artificial em Deodoro custa R$ 337 mil

Prefeitura do Rio de Janeiro tem interesse em terceirizar o serviço

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2018 | 07h00

Segundo principal polo de disputas nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, o Complexo de Deodoro, localizado na Zona Oeste do Rio, passou o último ano praticamente sem atividades. Em setembro, após nove meses fechado, a prefeitura do Rio reabriu parte do parque para a população usar o lago artificial aos finais de semana. Atualmente, à exceção das manhãs utilizadas exclusivamente pelos canoístas da slalom, o complexo é aberto apenas aos domingos.

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Visualmente, o parque melhorou muito nos últimos meses. Funcionários da própria prefeitura roçam o local e agentes da Guarda Municipal fazem a segurança. Por mês, a manutenção do lago e do seu entorno consome R$ 337 mil dos cofres municipais do Rio.

A intenção do município para este ano é terceirizar o serviço e, caso isso aconteça, a previsão é dobrar os custos. A estimativa é de que a contratação de seguranças e de equipes de manutenção predial custe R$ 742 mil a cada 30 dias.

Algumas obras pontuais também precisam ser realizadas. A mais urgente é bastante prosaica: a construção de novos banheiros. À exceção do prédio administrativo, não há nenhum banheiro erguido no Parque Radical. Atualmente, seis contêineres com banheiros provisórios são utilizados pelo público aos finais de semana.

Construída a algumas dezenas de metros do lago artificial, a pista de ciclismo BMX está fechada desde a Olimpíada. A prefeitura do Rio alega que o local, dedicado a ciclistas experientes e devidamente protegidos para as inevitáveis quedas, não pode ser aberto sem equipes de segurança e socorro.

Nos Jogos do Rio, o Complexo de Deodoro foi palco das competições de hipismo, ciclismo mountain bike, ciclismo BMX, pentatlo moderno, tiro esportivo, canoagem slalom, hóquei sobre grama, rúgbi e basquete.

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