Engenheiro cumpria pena quando se ‘reverteu’ ao islã

Familiares de Leonidi El Kadre afirmam que ele é inocente das acusações. ‘Foram na casa dele e não acharam nada’

Kleber Clajus, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2016 | 07h00

*Atualizado às 11h35 com correção de informações

CAMPO GRANDE - O engenheiro mecânico sul-mato-grossense Leonid El Kadre, 32 anos, segue foragido, ao contrário do que foi publicado anteriormente pelo Estado. Ele faria parte de um grupo detido em operação antiterror da Polícia Federal suspeito de planejar atos terroristas durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam no próximo dia 5. Nas redes sociais, conforme os investigadores, Leonid havia adotado a identidade de Abul Khalled, porém a família duvida de seu envolvimento com grupos radicais e relata retaliações. Valdir Pereira da Rocha, que também estava foragido, se entregou nesta sexta-feira no município mato-grossense de Vila Bela Santíssima Trindade. Ele e Leonid se reverteram ao Islã quando foram presos por roubo e homicídio.

“É totalmente sem sentido. Nem nos avisaram de que ele havia sido preso”, relatou a irmã e advogada Zeina El Kadre, 35 anos. “Fizeram busca e apreensão na casa dele, reviraram tudo e não acharam nada. Estamos todos desolados e sofrendo retaliação por isso”.

Leonid, que nasceu em Campo Grande, era morador de Campos de Júlio e estaria desempregado. Deixou o trabalho para cuidar do filho e pretendia retornar para o Estado de Tocantins, onde reside o restante da família. Lá havia sido condenado, aos 18 anos, por roubo e homicídio no município de Araguaína.

Aos familiares sempre negou participação no homicídio. Zeina, inclusive, se formou em Direito para revisar falhas no processo do irmão, mas reconhece que foram na prisão os primeiros contatos dele com a fé islâmica.

“Realmente se tornou muçulmano enquanto esteve preso. Não sei como foi amparado pelos muçulmanos, ele e o Valdir (Pereira da Rocha)”, contou a irmã do sul-mato-grossense. Valdir também havia sido condenado junto com Leonid por envolvimento nos mesmos crimes e também teria se “reverteram” ao islamismo durante o tempo em que ficou preso.

Sobre suposta fuga da prisão, ela negou que isso tenha ocorrido. Isso porque o irmão ficou responsável pelo almoxarifado do presídio, o que lhe rendeu ameaças de morte. Diante das circunstâncias, ele aproveitou uma saída temporária para se apresentar novamente na cidade do avô, a mato-grossense Vila Bela Santíssima Trindade.

Depois da prisão, com base em Lei Antiterrorismo sancionada pelo governo em março, a família assim que comunicada de forma oficial pretende reunir provas da inocência de Leonid, um dos nove presos transferidos na Operação Hashtag da Polícia Federal. Todos tiveram os cabelos cortados e lhes foram entregues uniformes do sistema penitenciário.

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