Koji Sasahara/AP
Koji Sasahara/AP

Enquanto Rio-16 sobe gastos, Tóquio-20 reduz valor de arena olímpica

Japão abre mão de ter o estádio mais caro do mundo na Olimpíada

O Estado de S. Paulo

28 Agosto 2015 | 11h30

Enquanto o Rio vai cumprindo sua missão olímpico com aumento em seu orçamento, o Japão, que receberá os Jogos Olímpicos de 2020, aprovou recentemente um plano para reduzir o investimento de construção do principal estádio da competição de Tóquio, depois da oposição pública ao projeto inicial. A revisão, aprovada pelo gabinete governamental, prevê que o custo do estádio será de 155 bilhões de ienes (o equilvalente a R$ 4,57 bilhões), abaixo do plano inicial, de 252 bilhões de ienes (R$ 7,44 bilhões).

O projeto agora é erguer um estádio para 68 mil pessoas, abaixo, portanto, dos iniciais 80 mil lugares. A capacidade do estádio olímpico, contudo, poderia ser expandida para eventos posteriores, como foi feito com o Itaquerão na Copa do Mundo. Há a possibilidade da formação de estruturas adicionais.

O projeto anterior foi cancelado por causa de um clamor popular sobre o preço elevado das obras, que era quase o dobro do estimado originalmente. O Japão teria o mais caro estádio da história. O projeto mudado requer agora um estádio para "transmitir a requintada tradição e cultura do Japão para o resto do mundo" e que misture o ambiente histórico e estético do tradicional templo xintoísta das proximidades, com amplo uso de materiais de madeira.

O corte de gastos da Olimpíada do Japão não para por aí. O estádio principal da competição também não terá mais cobertura total. Com tamanha antecedência das obras, a preocupação dos organziadores é com os prazos. "Temos de ter certeza de que o novo estádio nacional estará concluído a tempo para a abertura dos Jogos de 2020", disse o primeiro-ministro Shinzo Abe. O estádio não conseguirá sediar a Copa do Mundo de Rúgbi de 2019, como originalmente planejado.

MODELO

Apesar da redução dos custos, o governo garantiu que vai manter o design escolhido para o Estádio Nacional de Tóquio. O projeto da arquiteta iraquiana Zaha Hadid também gerou críticas de profissionais japoneses por ser grande e caro. Na avaliação do governo, mudar agora causaria atraso na construção. O Ministério dos Esportes do Japão e o Conselho Esportivo do país havia estimado o custo da obra em US$ 1,3 bilhão (R$ 4 bilhões na época). O valor do projeto saltou para US$ 2 bilhões (R$ 6,2 bilhões). A ideia inicial para baixar os valores era mudar o projeto, o que não foi aprovado. "Vamos começar do zero?", perguntavam os organizadores. Essa possibilidade não existe.

LICITAÇÃO

A demolição do antigo estádio também atrasou por problemas na licitação das obras. Era esperado que tudo começasse no mês de setembro. Mas não existe essa certeza ainda. Uma nova rodada de licitação foi ordenada, o que atrasa ainda mais o início da demolição, que deve acontecer somente em meados de dezembro.

LOGOTIPO

Organizadores dos Jogos Olímpicos disseram recentemente que não há problema com o logotipo da competição após discussões sobre possível plágio. O emblema já havia recebido críticas do público japonês. É mais um caso a ser administrado pelos organizadores. Projetado por Kenjiro Sano, o logotipo, que inclui preto pela diversidade e um círculo vermelho que lembra a bandeira japonesa, é uma representação da letra T. Ocorre que ele parece com o logo do Teatro de Liège, na Bélgica. Os responsáveis garantem que não se trata de plágio. "Antes da seleção do projeto, o comitê organizador de Tóquio 2020 realizou verificações longas, amplas e internacionais por meio de um processo transparente", informaram os organizadores.

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