Matt Dunbar/ WSL
Matt Dunbar/ WSL

Entenda a polêmica com Gabriel Medina e o credenciamento de sua mulher Yasmin para a Olimpíada

Surfista gostaria de levar a esposa para os Jogos de Tóquio, mas ela não se insere nos requisitos exigidos pelo Comitê Organizador

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2021 | 14h45

O surfista Gabriel Medina tinha a intenção de levar sua esposa, a modelo Yasmin Brunet, como sua indicação de credenciada para os Jogos de Tóquio. Mas a vontade do surfista não deu certo por uma série de motivos, ainda mais em uma competição que está sendo realizada durante a pandemia de covid-19.

A partir do momento que a Olimpíada foi adiada por causa do coronavírus, o Comitê Organizador começou a sinalizar que as medidas de restrições seriam bem duras, a fim de possibilitar a realização do evento. E entre esses protocolos estão a diminuição no número de credenciados e a proibição de torcedores estrangeiros no Japão.

Em condições normais, Medina poderia levar Yasmin para ficar perto dele durante o evento e ela entraria no país como turista. Depois, ficaria com o atleta em momentos fora de competições e teria acesso provavelmente como convidada do Comitê Olímpico do Brasil (COB) por ser familiar. Mas nesta edição dos Jogos isso não pode acontecer.

"No ano passado, o COB informou aos atletas de todas as modalidades sobre a existência do programa 'Familiares e Amigos', pelo qual o comitê daria todo o suporte para que os competidores pudessem receber as pessoas mais próximas na cidade-sede dos Jogos, de forma a ter por perto todos aqueles que os ajudam no dia-a-dia, inclusive com ingressos para as competições e espaço específico do Time Brasil para encontros", explicou o comitê.

"Infelizmente, em decorrência da pandemia, o COB teve de cancelar este programa. O Japão impôs diversas restrições a todos os países participantes, impedindo inclusive a entrada de familiares, amigos, fãs e turistas no país durante o período dos Jogos, que também devem ocorrer sem público", continuou em nota.

O argumento do bicampeão mundial de surfe é que outros atletas têm a possibilidade de levar pessoas próximas e ele gostaria de contar com isso. Tatiana Weston-Webb, que vai competir no surfe, pode contar com o marido Jesse Mendes, que também é surfista. Bruno Fratus costuma levar a esposa para as competições, pois ela também é sua treinadora. E a skatista Rayssa Leal, que tem apenas 13 anos, vai levar a mãe para acompanhá-la na Vila dos Atletas, uma necessidade justamente por ser muito nova.

Todos essas pessoas próximas aos atletas já constava em uma "lista ampla" de possíveis credenciados, que foi enviada pelo COB para a organização dos Jogos. Mexer nessa lista é quase impossível, ainda mais em um momento que as credenciais já foram emitidas. Por exemplo: André Jardine convocou hoje a seleção masculina de futebol. Ele não poderia colocar na convocação um nome que não estivesse nesta lista ampliada. O mesmo vale para todas as outras modalidades.

"De acordo com o regulamento dos Jogos Olímpicos, somente um profissional que esteja credenciado na lista larga pode substituir outro. Além disso, há uma limitação de credenciais para as delegações, e a política do COB é de que os oficiais tenham funções estritamente técnicas. Em virtude desta limitação, cada atleta do surfe terá acompanhamento de um profissional da área técnica com experiência comprovada", afirmou o COB.

No mês passado, após ter uma experiência com o australiano Andy King como técnico nas quatro etapas da Austrália do Circuito Mundial de Surfe, Medina conversou com os dirigentes do COB e indicou o treinador para os Jogos Olímpicos. King então entrou na lista ampla (o que não significa que necessariamente estará em Tóquio), mas se o surfista entender que ele deve ir, o técnico terá sua credencial validada. Já Yasmin não constava nessa lista preliminar, até porque não se encaixa no perfil definido pelo comitê.

"A limitação de credenciais para oficiais segue as diretrizes do Comitê Organizador, que ficaram ainda mais restritivas com intuito de proteger a saúde dos atletas por causa da pandemia. Necessariamente, o credenciado tem de ser um profissional que tenha ligação com a modalidade, e o COB seguiu expressamente este critério para a aprovação de qualquer credencial", disse o comitê.

Em uma entrevista para a CNN Brasil, Medina lamentou não poder levar sua esposa Yasmin. "Eles falaram que ela não tem nada a ver com o surfe, que não poderia ajudar a delegação. Mas são pessoas que me ajudam. Não é porque é melhor, é porque são pessoas que estão no meu dia a dia. Acho certo eles levarem o time deles, só que eu não sei qual a dificuldade de eu levar o meu time. Vou ter de viajar sozinho? Por que só comigo, sabe?", desabafou.

Procurado, o COB avisou que "não faz distinção entre os atletas" e explicou que manteve os mesmos critérios para todos os atletas da delegação. No momento, o Time Brasil já tem 272 vagas garantidas para os Jogos de Tóquio, que terá sua cerimônia de abertura no dia 23 de julho.

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